domingo, 18 de fevereiro de 2018

MUJI - um conceito de consumo (ou anticonsumo)

                                                         Logo da marca sem marca

 Muji (無印良品 Mujirushi Ryōhin) é uma empresa de varejo japonesa que vende  grande variedade de bens domésticos e de consumo e se caracteriza  pelo minimalismo de design, pela ênfase na reciclagem, na preocupaçao em reduzir o desperdício na produção e embalagem e  na prática do   "não-logotipo".   
O nome é derivado da primeira parte de Mujirushi Ryōhin, traduzido como  "Produtos de Qualidade sem Marca" 

A empresa começou com 40 produtos na década de 1980: artigos de papelaria e vestuário para homens e mulheres,  alimentos  e   utensílios de cozinha e projetos arquitetôncos e  um automóvel,Muji Car 1000, produto de uma colaboração em 2001 com a Nissan.Eram 1000  unidades,em modelo "espartano", com bancos de vinil, encontrado  na cor 'mármore branco" e vendas apenas online. 

Hoje, a marca sem marca vende mais de 7.000 produtos com " preços mais baixos do que o habitual",devidos aos  materiais selecionados, à mininizaçao da embalagem e à rapidez nos processos de fabricaçao. 
O  primeiro hotel está previsto para 2019, como parte do complexo Marronnier Gate Ginza. 

Países onde existem as lojas MUJI:
 No Japão,  328 lojas operadas diretamente e fornecimento a 124 lojas, a partir de agosto de 2017.  
Existem 418   pontos de venda internacionais a partir de agosto de 2017 :Reino Unido (12), França (9),  Itália (9),  Alemanha (7),  Irlanda (1),  Suécia (8),  Noruega (4) Espanha (5), Singapura (10), Malásia (5), Hong Kong (17), Turquia (2), Polônia (1), Portugal (1),  China continental (200), Taiwan (45), Tailândia (15), Austrália (3), Indonésia (6), Filipinas (7), Kuwait (2), Emirados Árabes Unidos (4), Índia (2).   

Na cidade de Nova York, a Muji fornece produtos para uma loja de design no Museu de Arte Moderna e mantém uma loja emblemática.
 A partir de abril de 2017, existem 5 lojas em Manhattan, uma no norte de Nova Jersey, uma em Boston e 6 lojas na Califórnia.   

Uma pequena filial está no Aeroporto Internacional JFK. 


Marca de marca sem marca 

"A estratégia sem marca da Muji (marca genérica)  é orientada o sentido de gastar  pouco dinheiro é gasto em propaganda ou marketing clássico.
O  sucesso de Muji é atribuído `a boca a boca,  a uma experiência de compra simples e ao movimento anti-marca. "
(Wikipedia) 
****************. 

Visite o Facebook da MUJI Portugal

https://www.facebook.com/MUJIPortugal/ 

Loja em Lisboa: Rua do Carmo,51-Chiado
 

 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O fenômeno Pabllo Vittar


"Transsexualidade,  termo usado pela medicina  há cerca de 60 anos, refere-se a um ser humano, pertencente a um gênero que não corresponde ao sexo anatômico.  

Esta situaçao é conhecida desde a antiguidade, com diferentes estatutos dependendo do país, dos períodos históricos.

 O  "fenômeno" do trans pode parecer enigmático para a pessoa que está enfrentando esta situação, bem como para a sociedade que a recebe, questionando de maneira fundamental a sua identidade.
As pessoas trans perturbam a ordem estabelecida"



Assim,em 2014, começava um texto do site francês de atualidades   Mediapart.



 
Em 2005, aqui no Brasil,uma decisao judicial  havia reconhecido Roberta Close como mulher e  na sequência, um tribunal do Rio de Janeiro expediu uma nova certidde nascimento afirmando que em 7 de dezembro de 1964, uma criança do sexo feminino nasceu e recebeu  o nome de Roberta Gambine Moreira. 

Em parte como resultado da longa batalha para que novas  identidades  sejam legalmente reconhecidas, os brasileiros vivem agora num tempo muito mais fácil  para fazer a transição de um sexo para o outro e, em seguida, mudar seus nomes e  fazer petições para novas certidões de nascimento.
*****  
E tudo estava na mais santa paz quando, de repente, como um furacao,ou tsunami ou cometa de cauda luminosa surgiu Pablo Vittar .
 ********
 

"Phabullo Rodrigues da Silva, cantor,composito e drag queen,conhecido pelo nome artístico Pabllo Vittar nasceu em São Luís, Maranhão em 1 de novembro de 1994.

Surgiu  na televisão  em 2014, no programa "Carona", da TV Integração, onde  interpretou u a canção "I Have Nothing", de Whitney Houston.  Um ao depois.( 2015),  ao lançar  o videoclipe  "Open Bar", releitura de "Lean On", de Major Lazer em parceria com , supreendeu com a marca de um milhao de visualizações no YouTube.

E foi também o You Tube que   lançou seu primeiro extended play (EP), também intitulado Open Bar.
Em 2017,  saiu seu álbum de estreia Vai Passar Mal, depois "subdividido" nos singles "Nêga", "Todo Dia", "K.O.", "Corpo Sensual" e "Então Vai", além da participação na canção "Sua Cara", do grupo americano Major Lazer." (Wikipedia)

********
Confira:

https://www.youtube.com/watch?v=hb4d15b7JB0https://www.youtube.com/watch?v=hb4d15b7JB0


 Trajetória

Matéria do jornal EXTRA : de pizza como cachê a preços estratosféricos.
 "Quando se “apresentava” na calçada de chão batido da Segunda Travessa do Espírito Santo, no bairro de Cangalheiro, na periferia de Caxias, no interior do Maranhão, Phabullo Rodrigues da Silva já sonhava com o estrelato. Ainda que a carreira artística fosse algo impensável e distante daquele cotidiano de pobreza e olhares tortos, o menino tímido, alto e delicado sabia onde queria chegar.
Prestes a completar 23 anos, Pabllo Vittar conquistou seu lugar no cenário musical, é popular, uma boneca viva para as crianças, a drag queen que jogou na cara da tradicional família brasileira sua voz aguda, o cabelão e um recado: vão ter de engoli-lo(a) durante muito tempo.


Pabllo Vittar no programa de Thiago Miranda
Pabllo Vittar no programa de Thiago Miranda Foto: reprodução/instagram
O caminho até aqui, no entanto, foi tão sinuoso quanto suas curvas. Pabllo jamais conheceu o pai e viu a mãe, Verônica Rodrigues, criar três filhos sozinha com um salário modesto de técnica de enfermagem.


Pabllo Vittar: o menino que cantava na calçada de chão batido na periferia do Maranhão chegou lá
Pabllo Vittar: o menino que cantava na calçada de chão batido na periferia do Maranhão chegou lá Foto: Bob Wolfenson/ reprodução/instagram

Vindo de uma família grande formada pelo avô Aquino, que teve mais de 20 filhos, Pabllo tinha nas primas e tias a proteção que precisava quando o olhar machista o perseguia. “As pessoas riam dele dançando na porta de casa. Agora querem pedir foto, dizem que o conhecem”, conta a prima Gislany Gleyce: “Ele sempre foi esforçado, inteligente. Ganhou bolsa para fazer curso de inglês. Pegava tudo rápido”.


Pabllo Vittar com a prima Gislany: ele continua o mesmo
Pabllo Vittar com a prima Gislany: ele continua o mesmo Foto: reprodução/instagram
A cabeleireira se lembra bem das primeiras apresentações de Pabllo. “Ele nunca se montou na cidade. Mas tinha bom gosto e dentro das possibilidades dele conseguia arrumar o cabelo, fazer maquiagem, ter uma roupinha legal”, recorda ela, que via o avô bufar algumas vezes com seu neto requebrando ao som de Beyoncé. “Ele dizia para Pabllo entrar para casa, que aquilo não era coisa de homem. Hoje, tem o maior orgulho”.


Pabllo Vittar com a mãe Verônica: ela bancou o sonho do filho
Pabllo Vittar com a mãe Verônica: ela bancou o sonho do filho Foto: reprodução/instagram
A identificação com Beyoncé era tanta que o primeiro nome artístico tinha o sobrenome da diva. Foi como Pabllo Knowles que ele deu os primeiros passos na carreira. Por pouco, a música não foi trocada pelas escovas e tesouras. Ao se inscrever num projeto social, Pabllo procurou um curso de cabeleireiro. Mas dois professores de canto prestaram atenção naquela voz incomum e incentivaram o garoto a continuar sonhando.


A casa de periferia onde Pabllo Vittar morou na adolescência hoje é um salão
A casa de periferia onde Pabllo Vittar morou na adolescência hoje é um salão Foto: reprodução/instagram
Quando o apresentador Thiago Miranda estreou um programa semanal na TV local, Pabllo não saía de sua plateia. “Ele pedia sempre para cantar e dançar. Eu não sabia nada sobre o Pabllo”, recorda o maranhense: “Um dia o chamei para o palco e vi que o talento dele era indiscutível”.


Pabllo Vittar não se montava quando morava em Caxias, no Maranhão
Pabllo Vittar não se montava quando morava em Caxias, no Maranhão Foto: reprodução/instagram
Foram cerca de 40 participações em dois anos de programa. Algo que começou a incomodar a direção da emissora na época. “Me chamaram e disseram que era para dar uma parada porque a família caxiense não estava achando legal. Retruquei e disse que chamaria Pabllo quantas vezes eu quisesse porque era a família caxiense que o queria ali”, desafiou.


Pabllo Vittar e Thiago Miranda, que deu espaço para a dra cantar
Pabllo Vittar e Thiago Miranda, que deu espaço para a dra cantar Foto: reprodução/instagram
Logo depois, Pabllo foi parar em Belo Horizonte, segundo Thiago, para se inscrever num programa de calouros. A prima Gislany conta que o sonho dele era cantar no palco do Raul Gil. “Acabou não acontecendo e o sucesso dele chegou antes”, avalia ela.


Pabllo Vittar entre as irmãs Pollyana, à esquerda, e Phamella, sua gêmea
Pabllo Vittar entre as irmãs Pollyana, à esquerda, e Phamella, sua gêmea Foto: reprodução/instagram
O rapaz, que fazia shows em troca de fatias de pizza no início da carreira, hoje é estrela de campanhas de multinacionais, fatura cerca de R$ 80 mil por show, tem a agenda bloqueada até o primeiro trimestre de 2018 e já faz parcerias internacionais. “Quando ele fazia Faculdade de Moda em Belo Horizonte, cheguei a ligar e o chamei para um projeto com um DJ em São Luis do Maranhão. Ele me disse que queria tentar a carreira no Sudeste um pouco mais. Logo depois, gravou o CD dele e estourou. Ainda bem que ele não voltou”, avalia Thiago.


Pabllo Vittar bo início de carreira
Pabllo Vittar bo início de carreira Foto: reprodução/instagram
Os dois voltaram a se encontrar por acaso numa gravação de “Amor e sexo”. “Fui a convite de um bailarino amigo e estava na plateia quando Pabllo me viu e se emocionou. Fora daquela personagem, aquele mulherão que enfeitiça, ele é o mesmo garoto gentil e carinhoso de antes. Um cara que nunca negou quem era e não fez tipo, mesmo transitando num universo machista e preconceituoso. Pabllo é hoje um ícone para uma geração. Alguém que chegou lá sendo quem é”.


Pabllo Vittar: a pizza como cachê foi trocada por R$ 80 mil por show
Pabllo Vittar: a pizza como cachê foi trocada por R$ 80 mil por show Foto: reprodução/instagram


Pabllo Vittar: curvas tão sinuosas quanto seu caminho ao estrelato 


**************

Trancrevo aqui a matéria publicada na "Época", em 8/2/2018,

  por LUÍS LIMA E NINA FINCO



Mais de meio bilhão de visualizações no Youtube e mais de 1 bilhão de audições em todas as plataformas digitais com o álbum de estreia. 

A drag queen Pabllo Vittar ostenta números e títulos impressionantes para pouco mais de dois anos de carreira. Mais influente nas redes sociais que RuPaul, a drag mais famosa do mundo, Pabllo não se deslumbra. “RuPaul nasceu numa geração que não tinha streaming, Internet. 

Então, gente, não dá para comparar números”, disse a ÉPOCA. 


A artista recebeu em um hotel do Itaim, bairro nobre da zona oeste de São Paulo, em um raro espaço de tempo de sua frenética agenda pré-Carnaval. Durante os dias de folia, Pabllo terá um bloco para chamar de seu no Carnaval de Salvador, o Bloco da Pabllo, na terça-feira (13) e, um dia antes, será destaque da escola de samba Beija-Flor, no Rio de Janeiro, que terá um enredo contra o preconceito.

Desmontada, reforçou que a ascensão de cantoras drags no pop brasileiro, na esteira de seu sucesso não é algo passageiro. “Não vejo isso como uma ondinha, marolinha, uma moda.” E sentencia: “vocês vão ver a minha carinha por muito tempo”. 

Na entrevista, ela também conta que jamais apresentaria a versão brasileira do reality show RuPaul’s Drag Race e que sente saudade de cantar “Todo Dia”, música que a projetou nacionalmente no Carnaval passado e que é alvo de contestação jurídica por seu autor, o rapper Rico Dallassam. Confira a entrevista.
"Quem tem limite é município e não Pabllo Vittar", diz cantora sobre suas futuras pretensões artísticas  (Foto: Julio Bittencourt )
  •  
  •  
  •  

ÉPOCA – Acredita que a força das drags na música veio para ficar? 
 

Pabllo Vittar – As pessoas dizem que tudo que começa e faz sucesso é uma febre. Não vejo isso como uma ondinha, marolinha, uma moda. Até porque estamos correndo atrás dos nossos sonhos e direitos. Trabalho todo dia para isso dure e que eu continue vivendo meu sonho. Quero poder continuar a ajudar minha família, a estar perto dos meus amigos, a fazer o que gosto. Trabalho muito. Tenho Deus comigo. É isso, meu amor, vocês vão ver a minha carinha por muito tempo.

ÉPOCA – O seu legado precoce ajuda a abrir caminhos para outras drags, como Aretuza Lovi, Gloria Groove e Lia Clark. Como vê isso?
Pabllo – É bafo. Somos todas drag queens, "fierce" (ou ferozes, em tradução do inglês) e maravilhosas. O bom é que cada uma tem um jeito, um estilo de música e passa uma mensagem de um jeito totalmente diferente, mas com a mesma missão, a mesma vontade.  Acho isso muito incrível. Criamos vários nichos de pessoas que curtem o trabalho drag. Então, manas, arrasem, vocês são demais.


ÉPOCA – Como é a sua relação com as outras drag queens cantoras?
Pabllo –
 Temos uma relação de união e irmandade, uma amizade muito grande. Sempre falo para elas: "manas, somos nós por nós". Eu nunca abriria uma porta que já me foi aberta por outra pessoa para não deixar as minhas manas virem comigo.

 Então eu estou sempre torcendo por elas e estou muito feliz. Algumas vão estar comigo no meu primeiro trio, em Salvador, no circuito Barra-Ondina
 Elas vão cantar e a gente vai se divertir muito. Acho lindo que algumas cabeças estejam se abrindo para essa cultura que é tão linda e só quer pregar amor e respeito.

ÉPOCA – Aqui no Brasil, as drags eram vistas como artistas caricata que batiam cabelo na boate. Agora, estão sendo associadas a divas pop. Como avalia essa guinada?
 

Pabllo – Em partes, mudou mesmo. Muita gente lá atrás fez muita coisa no nicho LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros) e não ficou conhecido a nível nacional. Mas foi muito importante para mim como artista. Não tiro o mérito dessas outras pessoas. 
Cada artista é de um jeito. Eu consegui chegar onde outras poucas conseguiram, por conta de uma vontade maior de querer fazer as coisas, de não me acomodar. 
Acho que isso abriu a cabeça das pessoas para os outros artistas que não tinham essa gama de olhares em cima, em volta deles. Eu fico muito feliz porque, agora, quando me perguntam: "quais são suas inspirações?", eu posso responder que me inspiro nos meus próprios amigos, artistas LGBTT que lutam, que levam essa bandeira linda e que fazem um trabalho maravilhoso.

ÉPOCA – Grande parte do consumo de música hoje em dia é por meio de plataformas digitais, um consumo sob demanda. E você tem crescido exponencialmente em todas essas plataformas. Como avalia esse novo jeito de consumo? E quem é o principal público da sua arte?
 


Pabllo – Fico muito louca com essa nova era digital da música. As pessoas têm acesso a tudo. Posso fazer uma música hoje e, em dois dias, ela já pode ser ouvida. Mas é o que sempre falo e falarei: não faço música para nicho. Faço música para pessoas que gostam de música boa. Nos meus shows, eu não categorizo ninguém. Desde sempre, nunca quis ser rotulada. As pessoas que vão ao meu show querem se divertir, dançar, serem respeitadas e amadas. 
Música boa faz isso: união. Existe música. E existem artistas, nós drags. O gênero drag music já foi muito forte. Eu amava, escutava muito quando criança. Hoje, tenho amizade com as meninas que faziam essas músicas, elas vão aos meus shows e acho muito engraçado. Mas quero que as pessoas olhem para nós, drag queens, como artistas.

ÉPOCA – Você incorpora a mensagem do movimento LGBTT em suas músicas e suas parcerias. Pretende continuar disseminando esse discurso?
Pabllo –
 Mana, eu sinto muito, mas sempre teremos que bater nessa tecla. É triste dizer isso. Eu sempre estarei mostrando que, independentemente da sua orientação sexual, você pode fazer tudo o que você quiser. Muitas pessoas não têm compreensão disso. Ainda colocam parentes para fora de casa, batem, xingam. O que eu quero é mostrar que somos todos iguais.


ÉPOCA – Acredita que a percepção do gay brasileiro mudou? Ele passou a olhar para si, e encarnar uma diva em potencial, sem ficar só na fila de shows?
Pabllo – 
Sim. Recebo muitas mensagens de autoaceitação. Acho incrível a pessoa se aceitar. Ao fazer isso, as outras pessoas logo em seguida vão te aceitar, te respeitar, e vão te amar. Assim como eu recebo o carinho de meus fãs. E eles dizem: "pôxa, Pabllo, você me mostrou que eu p >> “Estou 


ÉPOCA – Acha que as drags estão oxigenando o pop brasileiro? Tivemos uma cena forte do sertanejo, do funk...
Pabllo –
 Eu acho que a gente mudou sim. Eu boto muita fé nos meus produtores. No Gorky, no Mafalda, nos meninos que compõem, em todo mundo que trabalha, desde uma afinação, porque eles arrasam muito. E pensam muito em música para ser consumida daqui a 10 anos. 

Que as pessoas possam ouvir, cantar, dançar, se identificar. Temos um prazer muito grande em fazer isso. Acho que, com isso, as pessoas viram uma nova forma de música. Tanto que, depois disso, muitos outros artistas estouraram com os ritmos que trouxemos à tona: o forró, o tecnobrega, o arrocha.
ÉPOCA – O Bloco da Pabllo, trio elétrico que você vai comandar em Salvador, não terá restrição de acesso. De onde partiu essa ideia?
 

Pabllo – Já fiz vários shows em Salvador. Conheço a vivência dos meus fãs, sei como é difícil. Carnaval é uma época em que você quer se divertir, mas não tem muito dinheiro. Então resolvi que não queria bloco com abadá, nada disso. Tem que ser de graça para as manas verem e a gente se respeitar e se amar junto.. No ano passado, eu cantei com Daniela Mercury no mesmo circuito. 
Mas este ano terá um gosto especial, porque é uma responsabilidade muito grande. Estou muito ansiosa. Vitallovers (como Pabllo denomina seus fãs) de Salvador, venham para mim!

ÉPOCA – Você estourou no ano passado com "Todo dia", que foi o hit do Carnaval. Em menos de um ano, a canção foi alvo de contestação jurídica pelo autor, Rico Dalassam, e você foi proibida de cantá-la, devido a uma reivindicação de direitos autoriais. Sente saudade de interpreta-la?
 

Pabllo – Sinto falta, pois é uma música que eu amo muito. Marcou uma parte da minha vida que eu nunca vou esquecer. Realizei vários sonhos com ela. Fico triste, porque gosto muito do Rico, do artista, da pessoa que ele é. Até hoje não entendo o que passa na cabeça dele para tudo isso acontecer. Mas desejo sucesso para ele. E haverá outros hits.

ÉPOCA – Como foi o convite para desfilar pela Beija-Flor de Nilópolis? Qual a importância de um samba enredo que critique o preconceito?
Pabllo –
 Sempre assisti ao Carnaval do Rio de casa – nunca pisei no sambódromo, vai ser a primeira vez! 

Estou muito feliz porque será num carro de destaque com uma temática tão importante – inclusive para o Carnaval, porque nós vemos muitas cenas de homofobia e transfobia nas ruas.
 É muito importante trazer esse tema para o Carnaval para que possamos disseminar essa mensagem todos os dias. Estou com uma fantasia da [estilista] Michelly Xis, que eu amo.

 Vai ser bafo! Muita pele, muito samba. Estou ansiosa. Tenho medo de altura. Talvez não consiga ficar muito no alto [do carro]. Daí, talvez eu vá no chão, dando um close. Mas pela temática, vou tentar ficar lá em cima pendurada!

ÉPOCA – Em termos de representatividade, como avalia a importância de ter gravado dois clipes recentes com homens héteros (Diplo e Lucas Lucco)?
Pabllo –
 [risos] Menina, tinha que ter mais héteros iguais a eles. Quando gravei o clipe com Lucas, eu estava muito receoso. Claro que eu já o conhecia, mas, ainda assim, eu o enxergava como um cantor de sertanejo, do nicho hétero... Pensei: "Cara, como eu vou gravar um clipe com ele, quase sem roupa?". Mas foi supertranquilo, ele me respeitou muito. 

Me deu liberdade para fazermos aquele trabalho lindo que vocês viram. E acho que, em nenhum momento, ele se sentiu menos hétero, ou menos másculo. Inclusive, ele disse que a masculinidade dele ficou até mais revigorada. 
Quando você faz um trabalho desse, nada mais te abala, sexualmente falando. Lucas, meu amor, pisa menos! E o Diplo é um querido, que eu amo muito. Nós temos uma sintonia, que, mana do céu, acho que é de outro mundo. Eu o amo muito e o seu trabalho também, respeito muito. E isso é vice-versa. Arrasamos naquele beijão.

ÉPOCA – Expressões suas como "iukê" e "ressuscita" acabaram virando memes. Acha engraçado?
Pabllo –
 Gente, eu sempre falei "iukê" na vida. Acho muito engraçado. De alguma forma, isso traz a pessoa para perto do artista. Recebo meus memes, dou risada junto. Quando tem festival ou show que vai passar na TV, eu já fico preparada, porque sei que vão fazer um monte [de memes]. Então eu tento não fazer careta, mas nunca dá certo, sempre sai um monte. Mas só tenho a agradecer, porque isso se chama carinho genuíno.


ÉPOCA – Apresentaria a versão brasileira do reality show Ru Paul's Drag Race?
Pabllo – 
Nunca apresentaria. Acho muita responsabilidade. Acho que a RuPaul tem que vir apresentar. RuPaul sem RuPaul não é RuPaul, é outro nome, de outra pessoa. 

Então eu nunca apresentaria. Nunca pegaria essa responsabilidade para mim. Para fazer uma coisa dessas, tinha que colocar alguém que fosse melhor que RuPaul, e isso não existe. Not. Obrigada.

ÉPOCA – Mas, em números, você é muito maior que o Ru Paul nas redes sociais...
Pabllo –
 Sim, mas são números. A RuPaul nasceu numa geração em que não havia streaming, internet. Então, gente, não dá para comparar números. Vamos ser sinceras. Eu já nasci numa geração de streaming, de memes, Twitter, Instagram, Facebook, Orkut. 

Por tudo isso aí, eu passei. Então, não dá para comparar números. Ela é um ícone. Gente, por favor, vamos ver o tanto de coisa que ela já fez, o tanto de coisa que já representou.

ÉPOCA – Uma carreira internacional em 2018 é seu foco?
Pabllo –
 Depois do Carnaval, vou para Los Angeles. Pela primeira vez, estou muito ansiosa, para gravar meu segundo álbum de estúdio. Será todo em português. As "bees" podem ficar tranquilas, porque vai ter muita música babado.


  Tem um projeto com músicas internacionais também , em outras línguas. Mas não é nada do tipo: "vou me jogar na carreira interancional, ui, New York", não. Estamos plantando uma semente de coisas que temos vontade de experimentar mesmo. Porque eu, como músico, gosto de experimentar as coisas. Não vou ficar fechado numa caixinha. Vocês vão ter de sempre me ver fazendo alguma coisa, porque sou muito assim, ligada no 220. Dá na telha, eu vou lá e faço. E vai ter a mesma qualidade da música a que vocês estão acostumados, porque a gente sempre tem essa preocupação. Teremos colaborações ("feat") de pessoas que amo muito, internacionalmente falando. E, ai, meu Deus!  Vai ficar legal! Quem tem limites é município, e não Pabllo Vittar.

**************************************

Valentine's Day -14 de fevereiro-Dia dos Namorados no resto do mundo

 


Na contra-mão do resto do mundo, desde 1949 o Brasil comemora em 12 de Junho o Dia dos Namorados-pois fevereiro é mês de carnaval.



A origem de tudo está no século III d.C., em Roma, quando o imperador Claudio proibiu o casamento nos tempos de guerra, pois preocupações com responsabilidades familiares poderiam prejudicar o desempenho dos soldados.


Um religioso transgressor, Padre Valentim, desobedeceu a ordem e continuou as celebrar matrimônios.

Foi condenado à morte pela desobediência tendo sido, mais tarde, canonizado. A data de sua morte, 14 de fevereiro, passou a ser lembrada duplamente por ingleses e franceses, a partir do século XVII : Dia de São Valentim e dos Namorados.

*******************

No Japão, onde a comemoração foi introduzida em 1936, há uma inversão de papéis : neste dia as mulheres é que tomam a frente, presenteando seus amados com caixas de chocolates.Na Europa e na América do Norte a festa é no dia de São Valentinm: 14 de Fevereiro.
 

No México, as comemorações ainda incluem missas, quando os casais pedem proteção e felicidade no amor. Nos Estados Unidos e nos países europeus, as pessoas presenteiam também aqueles de quem gostam: pais, mães, irmãos e amigos
............................


Entre nós, a escolha da data teve razões mais pragmáticas. O publicitário João Dória (pai do atual prefeito de São Paulo), da agência Standard Propaganda recebeu encomenda de uma campanha para a extinta loja Clipper, com objetivo de alavancar as vendas de junho, na época um mês muito fraco para o comércio varejista.
Aproveitando a proximidade do dia de Santo Antonio, o casamenteiro, e contando com o apoio Federação de Comércio de São Paulo, instituiu no Brasil a comemoração e sua equipe criou o slogan: "Não é só com beijos que se prova o amor".
Para seguir a lenda ou como estratégia de marketing, o certo é que a data "pegou" porque entre apaixonados sempre há lugar para festejar o encontro da alma gêmea.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Carnaval 2-Pequena História do Carnaval

 

 




A festa  de rua já era chamada de "carnevalo” e assim viajou no tempo até a “Belle Epoque” - final de século 19/comecinho do século 20 - quando continuava a atrair as populações que vinham admirar carros decorados e pessoas fantasiadas.


Travestismo consentido
Nos álbuns fotográficos das famílias cariocas, no passado recente, havia pelo menos um grupo carnavalesco alegre, saindo para um banho de mar à fantasia, uma batalha de confetes ou para assitir o desfile das Sociedades e Préstitos, os avós da moderna Escola de Samba patrocinada.
Numa dessas fotos : banal, simples e corriqueira, minha mãe, ainda solteira,de terno de tropical branco, chapéu panamá e bigodes feitos com rolha queimada, acompanha seus três irmãos vestidos de baiana, havaiana e melindrosa, maquiados e com unhas pintadas.num travestismo consentido e estimulado pela e pela sociedade
Ritual
O Carnaval foi Introduzido entre nós pelos portugueses no século 17, com o nome de entrudo, festejo remanescente das festas da Grécia antiga, das bacanais romanas, das danças macabras medievais, todas elas depois aglutinadas e transformadas nos bailes de máscaras da Renascença.
O Carnaval não era uma festa, mas um ritual. A data móvel de sua celebracão é herança do momento histórico em que se decupava o tempo em períodos de 40 dias. A Quaresma, período que vai da Epifiânia ( Dia de Reis) à quarta-feira de Cinzas, servia para ligar o profano ao sagrado. O Carnaval permitia os derradeiros excessos quando a Igreja, em seus
primeiros séculos, preparava o cerne da festa de Páscoa, vinda das antigas comemorações pelo término do inverno no Hemisfério Norte.
( foto:máscaras/réplicas do Carnaval da Veneza medieval)
Neste momento, as regras sociais eram invertidas: os senhores se fantasiavam de escravos e, durante 5 dias, os escravos se transformavam em senhores.
Na Idade Média, a festa se realizava nas igrejas e a missa era dita ao contrário - começava com a Eucaristia e terminava com os Atos de Penitência - os ricos se fantasiavam de pobres, os pobres de ricos, as crianças se vestiam de adultos e os adultos de criança.
Origem da palavra
Com a cristianização do calendário, as festas pagãs foram rebatizadas. Fevereiro era o tempo de “Carne levare levamen”, quando eram degustados pela útlima vez os pratos gordurosos, antes da entrada em quarentena, a ”quadragésima”, palavra que evoluiu para Quaresma.
Quarenta dias de comidas “magras” até a chegada da Páscoa. Outras teorias remontam o termo a "carrus navalis”, carro que distribuía vinho ao povo durante a festa de Isis, deusa egípcia adotada por gregos e romanos. No século 13, a festa de rua já era chamada de "carnevalo” e assim viajou no tempo até a “Belle Epoque” - final de século 19/comecinho do século 20 - quando continuava a atrair as populações que vinham admirar carros decorados e pessoas fantasiadas.
Entrudo
A palavra portuguesa "entrudo" e o galês "entroido" vieram do Latim "introitu", que significava entrar na Quaresma e, por metonímia, o tempo que vem antes da Quaresma. Ou seja, o Carnaval. Mascarados, os foliões se aproveitavam do anonimato para atitudes ilícitas e imorais. 

A Igreja em Portugal, que criou o "Jubileu das 40 horas” e decretou leis severas em 1817, mesmo assim não conseguiu conter a violência da festa e nem o terremoto que praticamente destruíu Lisboa em 1755 e diminuiu a sanha das brincadeiras agressivas. A festa popular chegou por aqui durante o período colonial e se estendeu pela monarquia, com toques de sadismo.
As pessoas atiravam umas nas outras água em limões de cera ou saquinhos com pó, farinha, cal ou o que tivessem nas mãos.(imagem:quadro de Debret)
O primeiro baile de carnaval aconteceu no Rio de Janeiro em 1840, organizado para divertir a Corte. Em 1846, foi criado o “Zé Pereira”, grupo de foliões com bumbo e tambores.
A Maestrina Chiquinha Gonzaga (foto) [inovou os festejos com seu “Abre Alas”(1899). A partir daí, o Carnaval passou a ter composições especialmente elaboradas : marcha-rancho, o samba, a marchinha, o samba-enredo e o frevo, além da batucada
.
Com a chegada do automóvel, o corso - desfile de carros decorados - levava famílias inteiras ao centro das cidades, onde as batalhas de confete e serpentina faziam a alegria geral.
Desigualdade carnavalesca
Proibido pela violência que continha, o entrudo evoluiu para brincadeiras mais amenas com elementos lúdicos como os citados confete, serpentina e mais o famoso lança-perfume. Até ser proibido pelo breve Presidente Jânio Quadros - nove meses de governo, até renunciar em 25/8/1961 - o lança-perfume era elemento indispensável na bolsinha/adereço de qualquer folião, mesmo mirim.
 


Mesmo ali prevalecia o desnível social: os mais privilegiados usavam o importado “Rodo Metálico”,(foto) o povão mais simples ia de “Colibri”, em sua embalagem de vidro.
Totalmente permitido e até incentivado como o travestismo do album de fotos familiar, o “lança” era encontrado nas matinês dos clubes infantis e aspirado nos bailes de gala.
Crepes, brioches e croissants
Na véspera do dia em que começava a proibição de consumir carne e gorduras durante a Quaresma (terça-feira gorda), as pessoas usavam o que havia restado de gordura em casa para festejar, consumindo frituras e pães super calóricos. Neste tempo do peixe contra a carne e do comedimento contra os excessos, o consumo de ovos era igualmente interditado. Assim, surgiu a crepe – panqueca, aqui no Brasil - feita de farinha e leite. Nos países anglofônicos festeja-se o “Pancake Tuesday”, nos francofônicos o “Mardi Gras”, que veio a dar nome ao festejo popular mais importante de Nova Orléans.


Malhação do Judas e Rei Momo
A partir do século XI, um boneco encarnando o Rei do Carnaval - nosso Rei Momo - fazia parte dos desfiles, sendo queimado pelos habitantes das cidades ao final das folias.
Atualmente, estas manifestações ainda sobrevivem e, no Rio de Janeiro, a alma alegre do povo chama este boneco de Judas. A cada sábado de Aleluia, ao meio dia em ponto, um " Judas" é "malhado.

Com o correr dos séculos,as tradições que a gente encontrava nas fotos de album de família foram se formando,se firmando e acabaram po transformar o Carnaval (principalmente no Brasil)na festa popular mais diversificada e culturalmente rica do mundo.

**************************************

 

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Carnaval 1- Os Clóvis no Carnaval Carioca

 

  

Série de textos "carnavalescos" do blog 


********

O então  Prefeito Eduardo Paes assinou decreto que declara como "patrimônio cultural carioca" os grupos de clóvis (ou bate bolas) dos subúrbios do Rio.
O decreto saiu no dia 17 de fevereiro de 2012, no Diário Oficial
*******************************
Os "clóvis" no carnaval carioca agora também nosso patrimônio cultural




Qualquer carioca na faixa etária a partir dos 50 , em algum momento de seus verões infantis,se apavorou com um “clóvis”.
Era durante o carnaval que o “bicho papão”,tão invocado na hora das punições e castigos, aparecia ao vivo e a cores.
 

Normalmente no final da tarde,porque o calor de fevereiro e o peso da fantasia não eram ( o calor continua sendo terrível) não eram de brincadeira:para ser um “clóvis”, o folião tinha e tem que ter uma saúde de ferro.
O nome desses personagens do carnaval carioca(`as vezes chamados de “bate-bola”)é uma corruptela de clown -palhaço,em inglês.


Com seus amplos macacões coloridos,usando perucas com franjas, vestidos de caveira,morcego,palhaço e nêga-maluca, sempre andavam em grupo.
As máscaras,importadas da Alemanha,feitas de malha e entretela,por serem muito quentes foram substituídas por outras,transparentes,produzidas com as meias de nylon das senhoras das família.
O orifício no lugar da boca era preenchido com uma chupeta ou um apito. 

Para assustar criancinhas,traziam uma bexiga amarrada a uma vara.
O som da bexiga arranhando o asfalto escaldante era de arrepiar os cabelos.
Oriundos de Santa Cruz,um município da Zona Oeste do Rio de Janeiro,e logo espalhados por toda a cidade,os “clóvis’ se assemelhavam aos arlequins,colombinas,dominós e pierrots medievais, que também usavam bastões para agredir e as bexigas de porco ou de boi,compradas em matadouros.
Todo um ritual era cumprido: quando um grupo encontrava outro grupo havia a“cruza” ou “roda-baiana” o momento de glória de um ‘clóvis (pedido de passagem)
Quanto maior a metragem de tecido usado no macacão,maior a roda.

Girando o corpo,o “clóvis” conseguia imitar o movimento da saia de baiana inflada.
Se a permissão não era concedida,o tempo literalmente esquentava e as bexigadas se generalizavam
Talvez venha daí a hoje tão difundida expressão carioca “rodar a baiana”.
Os “clóvis” nunca falavam,se comunicavam por mímica ou pelo som do apito.Alguns usavam perfume na água da bexiga,para customizar o personagem.

 

**************
Para manter a tradição do carnaval de rua,a Prefeitura do Rio estimula a apresentação dos ‘clóvis” em vários bairos, oferecendo prêmios para os melhores grupos. 
Políticos,personalidades e pessoas benquistas (ou não) das comunidades ou acontecimentos de relevância continuam sendo os temas preferidos para as críticas.
Os próprios “clóvis” confeccionam suas roupas e preparam as coreografias.

***********************.