quinta-feira, 20 de julho de 2017

terça-feira, 18 de julho de 2017

Compre-me o Céu: a Incrível Verdade Sobre as Gerações de Filhos Únicos da China

  Lançamento editorial -Companhia das Letras


Texto da apresentação da Editora :
  "Este livro fala de homens e mulheres nascidos na China depois de 1979 - as gerações recentes criadas sob a política do filho único. 

Dentro de suas famílias, são vistos como príncipes, mas tanto afago os tornou isolados, confusos e incapazes de lidar com a vida prática. 

Do filho de um executivo incapaz de arrumar a própria mala ao aluno de doutorado que superou a extrema pobreza, Xinran mostra como essas gerações encarnam os medos e as esperanças de um grande país num tempo de mudanças sem precedentes.
É um momento de fragmentação, em que o capitalismo convive com o comunismo, a cidade com o campo e as oportunidades do Ocidente com as tradições do Oriente. 

Por meio das fascinantes histórias de filhos únicos, capturamos uma faceta decisiva da China contemporânea."


Tradução: Caroline Chang

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A autora:


 

Xinran

Xinran é uma jornalista, radialista e escritora chinesa. 
Trabalhou em Nanquim até 1997, quando mudou-se para Londres sozinha e após um ano buscou seu filho Pan Pan.
 É casada com um Inglês - Toby


sábado, 15 de julho de 2017

Concertos de Eva na Casa Museu Eva Klabin- Edição Julho 2017

 Sonia Rubinsky na Wikipedia

Biografia

"É filha de Zilda Kaplan Rubinsky, professora de Língua Portuguesa e Latim, e de Samuel Rubinsky, professor de Física

Iniciou seus estudos de piano no Brasil, ainda pequena. Quando criança participou da formação do Quinteto Rubinsky, com os irmãos Fanny, Neide, Lilian e Ismael, chegando a gravar um disco.

 Aos doze anos, tocou com as orquestras Sinfônica de Campinas e do Teatro Municipal de São Paulo.

A partir de 1972, continuou seus estudos em Israel, na Academia de Música Rubin, onde completou o bacharelado. Em 1979, foi para os Estados Unidos, onde cursou o mestrado e obteve o seu PhD em Piano Performance pela renomada Juilliard School, de Nova York.

Em 2002, casada com o matemático Stéphane Mallat, muda-se para a França, onde prossegue sua carreira de concertista, apresentando-se na Europa (Roma, Amsterdam, Paris), nos Estados Unidos (Nova York, Boston, Chicago, Los Angeles), Canadá (Toronto), em Israel (Tel-Aviv) e no Uruguai (Montevidéu). No Brasil, tem se apresentado com a Orquestra Sinfônica doTeatro Municipal do Rio de Janeiro e de São Paulo, com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, com a OSUSP Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo e a Orquestra Sinfônica de Campinas.

Entre os prêmios recebidos estão o de "Melhor Recitalista do Ano", pela Associação Paulista de Críticos de Arte, o William Petschek Award da Juilliard School e o primeiro prêmio no concurso Artists International, ambos em Nova York.
Gravou a obra completa para piano de Villa-Lobos (8 volumes) pela gravadora Naxos.

 O volume I foi indicado para o Grammy e também foi escolhido pela revista Gramophone um dos cinco melhores lançamentos de 1999. O volume V foi selecionado pela Gramophone como um dos dez melhores lançamentos de outubro de 2006. Sonia Rubinsky gravou também obras de John Adams, Debussy, Messiaen, Jorge Liderman e Mozart.

Sonia Rubinsky ganhou o Prêmio Carlos Gomes de "Pianista do Ano" em 2006 e "Instrumentista do Ano de 2009".
Em 2008, lançou no Brasil, pela Algol Editora, as sonatas de Domenico Scarlatti.
Atualmente,  vive em Paris
A artista se apresenta como solista, mas desenvolve também o trabalho de "Artista em Residência no Edward Aldwell Center e desenvolve o Villa-Lobos Project em parceria com a maestrina Simone Menezes e diversos artistas de todo o mundo."

domingo, 9 de julho de 2017

Alexander Calder


Calêndula ao sabor da brisa


Artista era  apaixonado pelo Brasil
      
Elizabeth Bishop - a poeta norte-americana -  e sua companheira Lota de Macedo Soares são figuras muito presentes na vida de Alexander (Sandy) Calder,criador dos  “móbiles”.
Lota usava um “pente-figa” feito a partir  de uma colher, presente do escultor para prender os longos cabelos negros – os mesmos que Bishop lavou carinhosamente, no poema “Shampoo”.
Em sua casa em Samambaia (Petrópolis,RJ) - ícone da arquitetura brasileira, projetada por Sergio Bernardes – duas obras do amigo ocupavam espaço especial.
Calder esteve  três vezes no Brasil e era apaixonado pelo samba. Adaptou os passos de nosso ritmo aos seus trabalhos, daí surgindo os “samba rattles”. Morou no Rio, no bairro de Botafogo e fez inúmeros amigos - em todas as classes sociais. Entre eles, o crítico de arte Mário Pedrosa que, durante 30 anos,  escreveu sobre o escultor.
“Móbiles”:assim são conhecidas as folhas de metal coloridas que balançam poeticamente tocadas pelo vento ou com a  ajuda de motores. 

Os “stabiles”, que vieram depois, são esculturas imensas que se integram harmonicamente nos locais para os quais são criadas. 
Os 30 anos do desaparecimento deste gênio, que incorporou movimento à escultura, foram marcados pela exposição “Calder no Brasil”,em 2006.

Depois de São Paulo a mostra com fotos, objetos pessoais e cerca de 50 esculturas e maquetes - inclusive a que fez para Brasília, encomenda de JK, e que  nunca foi  realizada - esteve itinerando no Rio. Mais exatamente, instalada no Paço Imperial, na Praça XV.  com o vídeo, musicado por John Cage, é imperdível.

                           A tática e a prática

Alexander (Sandy) Calder, nasceu na Filadélfia (22-7-1898). Filho de dois artistas plásticos - o pai, escultor renomado e a mãe pintora – graduou-se em Engenharia Mecânica sem racionalizar a escolha. No futuro, a intuição daria sentido à decisão da juventude.

Os pendores artísticos e  a habilidade manual  ajudaram-no  a encontrar trabalho como ilustrador da National Police Gazette. Em 1925, já  com várias telas tendo como inspiração o picadeiro, o jornal encomendou-lhe um poster para os espetáculos do circo Ringling Bros. and Barnum & Bailey.
Nas duas semanas em que passou nos traillers dos artistas, fascinou-se pela precisão e equilíbrio dos trapezistas e produziu seu próprio cirquinho. As figuras  dos ”artistas” eram  feitas de arame  e com o alicate que levava sempre no bolso.  Ele próprio servia de apresentador, animador, mestre de cerimônia e  ainda animava as marionetes, tudo acompanhado de efeitos sonoros.

Quando o “dono” partiu para uma de suas temporadas européias, desta vez na  Académie de la Grande-Chaumière, em Paris, o   Circo-Miniatura Calder  foi junto - cabia em duas simples maletas de mão.
Em 1930, diz o historiador  Wayne Craven, “o Circo Calder  tornou-se um grande sucesso no mundo artístico de Montparnasse e entre a intelectualidade francesa”. 
Uma platéia entusiasmada e seletíssima começou a freqüentar as funções: Le Corbusier, Fernand Léger, Joan Miró, Piet Mondrian, Theo van Doesburg. Jean Cocteau,  Jean Arp e muitos mais. 
 A bailarina e cantora negra norte-americana Josephine Baker, grande  sensação em Paris, serviu de modelo para vários trabalhos que exploravam  a flexibilidade dos movimentos da dança
Palmada no bebê

Visitando Piet Mondian em seu estúdio da Rue du Départ 26, Calder notou que as paredes do pintor holandês estavam tomadas por retângulos coloridos. Seu espírito criativo começou a imaginar como seria incrível se eles pudessem oscilar em várias direções, em diversas amplitudes.







Em 1931, participou da coletiva com o grupo Abstraction-Création , e casou-se com Louisa James,grande compreensiva  admiradora, que manteve duas casas : uma na França e outra nos Estados Unidos, para que o marido produzisse em paz. Tiveram duas filhas.
 Foi  em 1932 que a  exposição  “Calder e seus móbiles”, com 31 obras, abriu a galeria Vignon, em Paris.

Com o aumento do tamanho dos trabalhos, começaram a surgir os “stabiles” –esculturas em negro e  nas cores primárias (azul, vermelho, amarelo)  ancoradas ao solo, com motivos animais e vegetais que eram fixadas ao solo com as técnicas que aprendeu no curso de Engenharia.

Reunidos em assemblages, os stabiles (foto) começam a se espalhar pelo mundo: decoram a sede da UNESCO, em Paris e o estádio olímpico do México. Em 1952, recebe o Grand Prix de escultura na Bienal de Veneza.  A partir de 1974,  com criatividade ingênua, quase infantil, mostra ao mundo os “crags”:  que juntavam  aos móbiles os ângulos dos stabiles e  dos critters (stabiles negros que parecem formas humanas).
Passa a trabalhar com papel, litografias, gravuras super coloridas.
Em 1953, compra uma casa de pedra do século 17, perto de Tours, na França, para servir de imenso estúdio.
Hoje, esta mansão se transformou num albergue para estudantes de artes plásticas.
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 Calêndula ao sabor da brisa

A curadora da exposição que aconteceu no Paço Imperial, Roberta Saraiva Coutinho, contou- na época- que “já na sua primeira viagem ao País, em 1948, incentivado pelo arquiteto Henrique Mindlin e pelo crítico de arte Mário Pedrosa, que conhecera nos EUA, Calder mostrou-se um grande passista. Além de fã do candomblé.
 Levado pelos amigos brasileiros a um terreiro, ele tirou uma mulata para dançar e foi flagrado por um paparazzo. A foto foi estampada na revista de fofocas Fon-Fon, causando alvoroço na época”.
Essas e outras histórias  estão no  livro “Calder no Brasil“, organizado pela mesma Roberta Saraiva, em parceria da Pinacoteca do Estado de São Paulo com a Editora CosacNaif, 288 páginas, e foi  lançado na inauguração da mostra em São Paulo ( preço R$ 85,00).
 Calder expôs em 1954 no recém inaugurado edifício do Ministério da Educação, no Rio e participou de Bienais, em São Paulo. 

Elizabeth Bishop, em carta a Howard Moss (“Uma Arte”, Companhia das Letras, tradução de Paulo Henriques Britto - página 404) relata:
“... na véspera (7/7/1959) estiveram aqui Calder e a mulher e creio que esta visita foi melhor de todas. 
Eles já passaram uns tempos no Brasil antes e adoram sambar. Calder ficou sambando no terraço, com uma camisa de um laranja vivo, parecia uma calêndula ao sabor da brisa”.
O grande amigo do Brasil morreu em  Nova York , em 11  de  novembro   de 1976, de crise cardíaca.

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sábado, 1 de julho de 2017

Tulouse Lautrec

 



Em exposição  no Masp 

 
Com 75 obras, entre pinturas, cartazes e gravuras, a retrospectiva foi concebida pela própria equipe curatorial do museu a partir de 9 das 11 telas do artista já presentes em seu acervo.
O elemento norteador é a sexualidade, apresentada por Toulouse-Lautrec a partir de seu olhar sem julgamentos sobre a vida noturna parisiense e seus personagens marginais, como prostitutas, dançarinos e boêmios tais quais ele próprio.
A exposição tem empréstimos de instituições como o Musée d’Orsay, de Paris; e o Tate e Victoria & Albert Museum, de Londres.
Entre obras importantes, como “Moulin de la Galette” (1889) e seu cartaz para o Moulin Rouge, há ainda documentos, como cartas, bilhetes, telegramas e fotografias  do artista.
Serviço:
No Masp (av. Paulista, 1.578, Cerqueira César, 
tel.: 3149-5959). e 
ter. a dom., das 10h às 18h; qui, das 10h às 20h. R$ 30. 
Até 1º/10.
 (divulgação)

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*Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa

Aristocrata, boêmio, pioneiro do design gráfico

 (1864-1901)
















*Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa


*Filho mais velho da Condessa Adéle Tapié de Céleyran e do Conde Alphonse-Charles deToulouse-Lautrec-Monfa, de quem deveria herdar o título, mas faleceu antes do pai.
A família nobre vem das mais antigas linhagens da França.
 
*Sofria de rara doença genética a Pycnodysostosis, que ficou conhecida como Doença de Toulouse-Lautrec,caracterizada por ossos frágeis,baixa estatura: quando homem adulto, tinha pernas de menino. 
A doença é causada pela mutação do gene que codifica a enzima cathepsina K .
 

A partir de 1996, descobertas científicas puderam localizar o gene e a doença passou a contar com métodos mais apurados de diagnóstico e tratamento.
 
• A deficiência física foi agravada pela fratura das duas pernas na infância.
*Aos 16 anos,estudando em ateliers "oficiais", percebeu que nenhuma regra era viável para seu espírito inquieto e saiu em busca da verdadeira essência.
 
*Morou,sozinho, no campo, desenhando animais.Quando em Paris, sua felicidade era passar horas nos museus, observando técnicas que lhe ajudaram a retratar a fauna humana.
Princeteau, pintor de cavalos,lhe apresenta Jean-Louis Forain que,por sua vez, introduz Degas na vida de Lautrec.



*Finalmente, encontra o caminho. 
Sua vida notívaga desregrada, quando perambulava pelos "bas-fonds" de Montmartre, oferecia perfeitas oportunidades para observar os seres humanos fora dos limites impostos pela sociedade,os crimes, a prostituição, os relacionamentos homossexuais.
 
Oscar Wilde aparece em muitos de seus cartazes.
*Em 1892 sai o album "Elles"retratando criaturas deste universo com fidelidade,como "La Goulue",para indignação dos moralistas.

La Goulue (Louise Weber 1866 -1929), foi uma popular dançarina francesa de Can-can





"Duas amigas"

* Assim como a vida desregrada regada a álcool e pontuada por doenças venéreas foi bastante discutida pelos críticos, a morte de Toulouse Lautrec causou discussões entre seus médicos,
*Foram várias as hipóteses,todas elas causando muito sofrimento.

Pesquisei com cuidado na web e,parece,o mais provável é o diagnóstico de um deles, Dr Gaston Lévy, que mais corresponde aos sintomas : a Doença de Muller-Ribbing/ Clement,afecção reumatológica.São alterações nas extremidades de óssos longos (como o fêmur). 


* Vinte anos de atividade artística nos legaram 737 quadros a óleo catalogados,mais de 5000 desenhos e 363 gravuras e cartazes.

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Sobre seu estilo, a Wikipedia nos explica que:testemunha da vida noturna de Montmartre, Henri não apenas faz pinturas, como também cartazes promocionais dos cabarés e teatros, fazendo-se presente na revolução da publicidade do século XIX quando a arte deixa de ser patrocinada e financiada apenas pela Igreja e os nobres, para ser comprada e utilizada pelo comércio crescente gerado pela  revolução industrial  Toulouse-Lautrec revolucionou o design gráfico  dos cartazes, definindo o estilo que seria conhecido como Art Nouveau "




"Mestre do contorno, podia retratar cenas de grupos de pessoas onde cada pessoa é individual (e na época podia ser identificada apenas pela silhueta). 
Frequentemente ele aplicava a tinta em uma estreita e longilinea pincelada, deixando a base (papel, tela) ou o contorno aparecer. 
Sua pintura é gráfica por natureza, nunca encobria por completo o traço forte do desenho. O contorno simples era a "marca registrada" de Lautrec desde o início da carreira como designer de cartazes. 
Não pintava sombras. Suas pinturas sempre incluíam pessoas (um grupo ou um indivíduo) e não gostava de pintar paisagens.  O papel usado para os cartazes frequentemente era amarelo"

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A pintora Djanira








Djanira da Motta e Silva 

Avaré, 20 de junho de 1914
Rio de Janeiro, 31 de maio de 1979)
Pintora, desenhista, ilustradora, cartazista, cenógrafa e gravadora brasileira.






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Esta ótima e completa matéria de Audrey Furlaneto foi publicada no jornal  O GLOBO,por ocasião do centenário de nascimento da artista(2014)

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Djanira, de boia-fria a uma das maiores pintoras do país

Artista que faria 100 anos é tema de exposição e tem história relembrada



Autodidata e convicta. A pintora em 1967: “A maturidade não se força. Tudo o que fiz foi em lenta prepação. Graças a Deus não sou habilidosa”
Foto: Reprodução
Autodidata e convicta. A pintora em 1967: “A maturidade não se força. Tudo o que fiz foi em lenta prepação. Graças a Deus não sou habilidosa” - Reprodução
por
 
  
 "Djanira trabalhou em lavoura de café, em criação de gado, em cozinha de família, foi modista, chapeleira e costureira antes de tocar num pincel pela primeira vez quando, aos 23 anos, em 1937, internada num sanatório para se tratar de tuberculose, viu na parede um desenho de Jesus Cristo e brincou: “Isso até eu faço”.
Saiu do hospital para morar em Santa Teresa e lá abriu uma pensão. 

Assim, vivia de costurar para damas cariocas e alugar quartos para artistas — mas se fechava na cozinha à noite, quando todos dormiam, para desenhar. 

Aos poucos, em seu ateliê de costura, moldes de saias, rendas, fitas e retalhos conviviam com incontáveis desenhos sobre papel.
Num depoimento ao Museu da Imagem e do Som (MIS) em 1967, ela se lembrou daquele tempo: “Uma moça da Suíça francesa me pediu para lhe fazer um vestido, chegou ao meu ateliê, viu aquela porção de desenhozinhos na parede e perguntou: ‘De quem são?’. Eu disse: ‘São meus’. Ela: ‘Não, eu quero saber quem fez’. Eu disse: ‘Fui eu’. E ela: ‘Então você é uma artista!’. Eu falei: ‘Não, isso é brincadeira minha’”.
A moça lhe apresentou o pintor Emeric Marcier (1916-1990), que, diante dos desenhos de Djanira, manteve o diagnóstico: “Você é artista”. 
Ela reclamou: “Não queria que ninguém me chamasse de artista. Achava que, para ser artista, tinha que saber muita coisa que eu não sabia. 
Artista, para mim, era sagrado”.
  Djanira  morreu em 1979, “sagrada”, com uma extensa obra em pintura e comparada, por críticos de arte, a Alfredo Volpi e a Heitor Villa-Lobos — em 1948, o crítico Rubem Navarra diria: “Vemos uma Djanira suburbana e requintada, um processo psicológico parecido ao da música de Villa-Lobos, que, partindo do chorinho, encontrou um dia a técnica de Bach”.

“Autorretrato” (1944): obra em exposição na Caixa Cultural do Ri ,por ocasião do centenário

Sua obra está concentrada no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Rio, dono do maior acervo da artista, com 814 obras. 

A coleção Gilberto Chateaubriand tem 16 pinturas, e o Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio, outras quatro. 
No mercado, suas pinturas também passam por valorização. 

Nos anos 1960, a própria pintora denunciou falsificações que baixaram o preço de seus trabalhos. Nos anos 1980, seus óleos custavam entre um e três milhões de cruzados — “preços surpreendentemente baixos”, dizia uma reportagem da época, no “Jornal do Brasil”. 

Recentemente, uma tela de sua autoria foi arrematada por R$ 100 mil em um leilão no Rio.
No início da carreira de artista, Djanira precisou rebater o rótulo de naïf ou primitiva.

 Isto porque aprendeu a desenhar sozinha, e das poucas aulas que fez no Liceu de Artes e Ofícios no Rio, não gostou — não conseguia obedecer ao professor, gostava de estar com seu cavalete na natureza, não era uma pintora de ateliê. “Era movida por liberdade e tinha um mundo muito peculiar”, lembra a amiga Anna Letycia, de 84 anos, que viajou com Djanira rumo ao Maranhão nos anos 1950.
Ela se achava muito forte, muito valente. Tinha poucas vacas lá, sabe? E ela resolveu tomar leite. 

Acontece que as vacas comiam muito sal, e ela teve um desarranjo que nos obrigou a ir embora de avião — diverte-se Anna, que continua rindo entre as memórias daquela viagem. — Mesmo no hotel, Djanira dizia que preferia dormir em rede. Mentira dela! Acordava toda desconjuntada! Ela era muito engraçada. Tinha um ritmo de trabalho muito intenso. Carregava o cavalete para o meio da natureza e não parava. Às vezes, nós pintávamos a mesma coisa e (o tema) saía diferente. 

Eu dizia: ‘Como pode, Djanira?’. É que ela via diferente. Ela vivia num mundo particular.
 
Nesse mundo, estavam o papagaio Liberdade (que, mesmo depois da morte da artista, gritava “Nira! Nira!” horas a fio na Rua Mauá, em Santa Teresa), os cachorros Samambaia, Safena, Sagarana e muitos outros (eram tantos, que faltam registros dos nomes de todos os bichos).

 No mundo peculiar de Djanira, coube ainda a religião. Ela se tornou freira da Ordem das Carmelitas em 1972, numa cerimônia em casa, ao som de Mozart, Bach e do tilintar de taças de champanhe. “A vida difícil”, completa Anna Letycia, não fez da artista “uma pessoa amarga ou retraída”.
DO INTERIOR PARA NOVA YORK
A própria Djanira, no depoimento ao MIS em 1967, disse que não enveredou pela arte para se refugiar das dores do passado. 

“Pintar foi por pura vocação. Era uma força maior do que eu”, disse a pintora, que não passou da escola primária e conheceu a história da arte já madura, acessando a preciosa biblioteca de Marcier. 

Nunca se apressou em “despontar” num cenário em que Di Cavalcanti, Portinari e Pancetti brilhavam. Costumava dizer: “A maturidade não se força. Tudo o que fiz foi em lenta preparação. 
Graças a Deus não sou habilidosa”.
Quando menina, Djanira tratou apenas de sobreviver. 
Os pais a abandonaram numa cidadezinha em Santa Catarina quando tinha 2 anos. Deixaram-na em casa de vizinhos, prometendo buscá-la em 15 dias. A menina passou 14 anos à espera. Os pais nunca voltaram.
“Fiquei longe de tudo quanto fosse parente. Eu era uma intrusa numa casa que não era para mim. Todos os dias eu escutava isso: ‘Essa menina está aqui, e nós não podemos sustentá-la.’

” Para evitar os insultos, trabalhava como boia-fria, cuidava da cozinha da família, mas “sabia, dentro de mim, que tinha que fazer uma coisa que não era aquela vida cotidiana de fazenda de café ou então do Sul do Brasil, lidando com gado”.

“A fazenda” (1966)
Quando veio ao Rio, logo depois da temporada num sanatório paulista para se tratar de tuberculose, casou-se com um maquinista da Marinha — e a relação teve final trágico: ele morreu trabalhando num submarino brasileiro torpedeado pelo exército alemão.
Para sobreviver de novo, Djanira alugou quartos num casarão em Santa Teresa e os sublocou.

 Aos primeiros hóspedes pediu pagamento antecipado, a fim de comprar colchão e roupa de cama. Os artistas gostavam de sua comida e muitos lhe davam aulas em troca de refeições — entre eles, Milton Dacosta, com quem namorou por curto período e com quem partiu aos Estados Unidos, depois de ganhar um prêmio de viagem num salão de artes visuais.

 
A pintura de Pieter Bruegel, Fernand Léger, Joan Miró e Marc Chagall, com que tomou contato em Nova York, no fim dos anos 1940, deixaria marcas na trajetória de Djanira, segundo o crítico Frederico Morais.
— Ela criou algumas perspectivas depois que lembram perspectivas de Bruegel — avalia Morais. — Está entre as grandes pintoras brasileiras. A pintura de Djanira ensina a ver o Brasil. Ela não tinha uma cultura livresca, mas dizia: “Eu sou formalista e sou Brasil”. Os concretos nunca aceitaram uma pintura ligada a uma temática brasileira, e ela conseguiu ser formalista e brasileira.
Ainda em Nova York, a artista conheceria Maria Martins (1894-1973), que logo a acolheu. A escultora surrealista costumava dizer que Djanira bateu à sua porta com “uma cara de passarinho espantadinho”. Maria fazia questão de lembrar, em entrevistas, que um crítico americano definiu a amiga como “um Chagall dos trópicos”. Uma mostra de Djanira em Washington foi tema de uma coluna da primeira-dama Eleanor Roosevelt à época. Arrancou elogios.
 
Em 1947, de volta ao Brasil e já consagrada, a artista se mudou para a Bahia, onde conheceu o marido com quem ficaria até a morte, José Shaw Motta e Silva, o Mottinha. 

Ele, por sua vez, logo que ficou viúvo, casou-se com a melhor amiga de Djanira, Rachel Trompowsky, que ainda vive em Santa Teresa, entre algumas das obras da amiga pintora.
Foi na Bahia de seu amado Mottinha que Djanira fez um mural sobre o candomblé para a residência de Jorge Amado (1912-2001). Sobre ela, o escritor baiano escreveria:
“Sendo um dos grandes pintores de nossa terra, ela é mais do que isso, é a própria terra, o chão onde crescem as plantações, o terreiro da macumba, as máquinas de fiação, o homem resistindo à miséria"


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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Concertos de Eva na FEK -Edição de Junho 2017

TRIO PORTO ALEGRE  


 

Formado por renomados músicos gaúchos, NEY FIALKOW, piano, CÁRMELO DE LOS SANTOS, violino e HUGO PILGER, violoncelo, que estão radicados respectivamente em Porto Alegre, Estados Unidos e Rio de Janeiro,  o Trio Porto Alegre já se apresentou em palcos do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e Goiânia, além de concertos em Berlim (Alemanha), Santiago (Chile) e Assunção (Paraguai). 
Seu  repertório, além dos compositores tradicionais da música universal, inclui obras dos brasileiros Breno Blauth, Guerra Peixe, Camargo Guranieri e Villa-Lobos. 

(divulgação )

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terça-feira, 20 de junho de 2017

Gengis Khan e a globalização

 Texto publicado no site Opinião e Notícia

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"O conquistador mongol que ligou o mundo ocidental ao oriental de forma nunca antes vista morreu em 1227"






Morre Gêngis Khan 
"Seu nome verdadeiro era Temudjin 
(Foto: Wikimedia)
Em 18 de agosto de 1227, morreu Gêngis Khan, lembrado como um conquistador bárbaro e cruel que dominou toda a Ásia, o Oriente Médio e a Europa Oriental no século XIII.
Ele foi, basicament,e o homem que lançou as bases da globalização ao ligar o mundo ocidental ao oriental de forma nunca antes vista.
 
Seu nome verdadeiro era Temudjin. Não há um consenso sobre a data de nascimento, alguns dizem que foi no ano de 1155, outros dizem que foi em 1167. 

Durante seus primeiros anos, ele viveu com a família. 

Aos nove anos, perdeu o pai, assassinado pelos tártaros, o povo mais feroz da Mongólia. 
Como foi abandonado pela sociedade local por conta da morte do pai, Temudjin,  mãe e  irmãos foram viver nos montes Kentai, na Mongólia.
Quando casou, ficou sob a proteção da poderosa família da noiva, os Kereyt, turcos cristianizados. 
Em poucos anos, Temudjin se impôs e adquiriu ascendência considerável sobre os que falavam sua língua, o mongol. 

Em 1202, vingou o pai vencendo os tártaros e obrigando-os a servi-lo.
Em 1206, uma assembleia plenária das tribos elegeu Temudjin chefe de toda a Mongólia oriental, com o título de “chefe oceânico”, o Cinggis Kaghan, na língua mongol. 

O Ocidente o transformou em Gêngis Khan.
Fundou o maior império da história em extensão contínua de terra. 

 Ele e seus sucessores só não conquistaram a Europa ocidental, a África, as Índias e as ilhas da Ásia oriental. 

Mas conquistaram todos os outros territórios entre o Pacífico e o Mediterrâneo.
Gêngis Khan morreu, durante uma campanha, no dia 18 de agosto de 1227, sem conhecer uma parte do território que seus homens conquistaram."

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Musica de Câmara na ABL


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Visite o precioso site do artista

em
 http://www.yagomahugo.com/

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Origem das festas juninas e seus símbolos




O trabalho missionário dos Padres do St. Sulpice na América do Sul  tem um encontro interessante com as tradições culturais e religiosas locais. 
 Chegando no Brasil em 2004, em Crato- no Ceará,os Sulpicianos foram recebidos com as  "celebrações de junho", ligadas ao aniversário São João Batista.

O Monsenhor  Londoño Norbayro, P.S.S., descreve no texto abaixo, a origem e prática desta tradição,que também é   comemorada no Seminário de São José, naquela cidade.  

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As imagens que ilustram esta parte do texto são de quadros  de Djanira da Motta e Silva,  pintora, desenhista, ilustradora, cartazista, cenógrafa e gravadora brasileira.  
  (1914 - 1979)



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FESTAS JUNINAS  E TRADIÇÕES

 por Padre Londoño Norbayro, P.S.S. 

Os feriados em junho têm o poder mágico de reavivar as velhas tradições, para fortalecer nossos laços originais e recriar no presente, o caminho de nossos antepassados.  
Aliado ao magnífico espetáculo que a natureza nos oferece, eles se tornaram um produto turístico mais atraente; eles criam postos de trabalho que contribuem para o rápido crescimento da área onde eles ocorrem.O mês de junho, o tempo do solstício de verão na Europa, tornou-se o motivo dos ritos dq fertilidade necessária para o crescimento da vegetação, a abundância da colheita e mais chuva. 
 Esses rituais eram praticados em muitas culturas diferentes em todos os momentos e em todas as regiões do planeta.  Mesmo a "era cristã" não conseguiu fazê-los desaparecer.  
A Igreja Católica, de forma inteligente, ao invés de condená-los, adaptou-os para a celebração da Festa de São João, que nasceu 24 de junho, o dia do solstício. 
Também sobreviveram desde tempos imemoriais, os costumes de acender fogueiras e tochas que permitiram a libertação de plantas e colheitas dos espíritos malignos que poderiam dificultar a fertilidade.  

Os fogos de São João,  acesos na noite de 23 de junho,  imediatamente antes da colheita,  eram em honra dos deuses para lhes agradecer por sua bondade, ou imediatamente depois, para purificar a terra. 
  
Em muitas cidades no nordeste do Brasil, onde essas tradições têm mais influência,  dizem que  verdade, o fogo está diretamente relacionada com o nascimento de São João Batista  

Segundo relatos, no passado,  grandes distâncias separavam as cidades e aldeias e luzes anunciavam as boas novas,como nascimentos
.Zacarias, pai do Santo,acendeu uma fogueira para comunicar  aos parentes mais próximos a grande alegria do casal.
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As festas juninas começam  a 13 de junho, dia de Santo Antonio. Este santo português nasceu em 1195,  foi membro da ordem franciscana, e morreu em Pádua, Itália, com a idade de 36 anos.  

Amplamente reverenciado no Brasil no início do século XX, tornou-se o padroeiro do Exército brasileiro.  
Na cultura popular,  é um santo casamento, atendendo às promessas e orações de meninas que querem se casar. As festas em sua homenagem incluem   canto, peregrinações e procissões em todo o país, além de muitas crenças e superstições.
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16 de junho de 2006.







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 Do site "Sua Pesquisa"
Quadrilha: grande momento das festas juninas

"O que é, origem e principais características

A quadrilha é uma dança tradicional das festas juninas ,uma dança coletiva, que conta com a participação de vários casais vestidos com roupas caipiras. 

A dança é embalada ao som de músicas instrumentais típicas do interior do Brasil. A quadrilha é dirigida pela narração de uma pessoa (marcador), que faz brincadeiras e conduz os casais em cada momento.

De acordo com historiados e pesquisadores da cultura popular, a quadrilha surgiu na França do século XVIII. 

Principalmente em Paris ocorriam danças coletivas, formadas geralmente por quatro casais, que tinham o nome de quadrille. Estas danças ocorriam em grandes salões palacianos e contavam com a participação exclusivamente de membros da aristocracia francesa.


  

A quadrilha chegou ao Brasil no final da década de 1820 e, assim como em seu país de origem, foi muito comum entre as classes sociais mais ricas da sociedade brasileira da época (principalmente entre os integrantes da corte brasileira residente no Rio de Janeiro). 


Foi somente no final do século XIX que a quadrilha se popularizou e tornou-se comum entre as camadas populares da sociedade. Porém, ao tornar-se popular, agregou diversos elementos culturais populares, principalmente os relacionados às tradições e modo de vida no campo. Ganhou também, neste momento, um caráter mais divertido, com pitadas de momentos descontraídos e engraçados.

A partir do início do século XX, as quadrilhas se espalharam por várias regiões do Brasil, sendo até hoje muito populares tanto nas cidades do interior quanto nas grandes capitais.  A beleza desta dança está justamente nestes aspectos populares e culturais múltiplos e diversos, que enchem a dança de cores, músicas e ricos elementos culturais.

Quadrilha junina na atualidade

Atualmente as quadrilha  são o ponto alto das festas juninas brasileiras. Ocorrem, principalmente, em escolas, empresas, clubes e associações culturais. Os locais  são enfeitados com bandeirinhas e balões, símbolos típicos das festas juninas. 

Em áreas abertas, a fogueira também costuma estar presente.

Os dançarinos se vestem com roupas caipiras antigas. As mulheres (damas) fazem maquiagem e os homens (cavalheiros) pintam bigodes e cavanhaques. O chapéu de palha também é um adereço quase que obrigatório para os dançarinos da quadrilha.

A temática mais comum nas quadrilhas atuais é a do casamento a moda antiga das áreas interioranas do Brasil. Com um tom cheio de comédia e marcado por exageros, o noivo é praticamente obrigado a casar com a noiva, sob a pressão do pai dela e do delegado da cidade"
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Existe vasto repertório de músicas juninas,mas a que me parece mais inspirada e delicada é

Noite fria de junho (Braguinha)
https://www.youtube.com/watch?v=qiSE1h2IcA

" os balões devem ser ,com certeza, as estrelas daqui deste mundo e as estrelas do espaço profundo são os balões lá do céu"  Lindo !
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