quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Como funciona...... 2- A Medicina Ortomolecular

Linus Pauling
    (1901-1994) 
Um pequeno tributo nos 23 anos de seu desaparecimento  

Linus Pauling, engenheiro químico norte-americano e duas vezes laureado com o Prêmio Nobel de Química - 1954 e 1963 - foi o criador da expressão "Medicina Ortomolecular “ (orto=acerto).
Pauling direcionou seu trabalho de pesquisa para as estruturas moleculares e para a troca de pares de eletrons entre átomos das muitas substâncias que usamos para nos nutrir durante a vida

. A Medicina Ortomolecular - no entender de seu criador uma “medicina da saúde” - tem como objetivo corrigir carências destes nutrientes no organismo.

Para prevenir doenças esta correção deve proporcionar um equilíbrio bioquímico e também deve usada para maximizar qualquer tratamento da medicina tradicional.

Antes de qualquer doença se instalar e se tornar visível no corpo, segundo Pauling, já existe uma desorganização celular e um desequilíbrio bioquímico. A administração de nutrientes facilita o equilíbrio do organismo, para que continue saudável e funcionando de forma correta, como numa engrenagem.

A medicina ortomolecular pode ser usada por qualquer pessoa, especialmente as que sentem sintomas de desgaste no organismo, perda de memória, cansaço fora do habitual, dificuldades sexuais, distúrbios do sono, stress e infecções repetitivas.
O acerto molecular é feito com reposição de vitaminas, minerais e aminoácidos. Esta reposição, além de resolver o desequilíbrio bioquímico, combate os radicais livres.

Radicais Livres
Um radical livre - descoberto em 1900 - é qualquer molécula que apresente um número impar de elétrons ou seja, um elétron “desemparelhado”. A instabilidade estrutural faz com que o radical livre tente roubar um elétron de qualquer outra substância a fim de se estabilizar.
Se houver uma falha no mecanismo da máquina - o ser humano - ela comprometerá toda a produção - qualidade de vida - fazendo surgir defeitos - as doenças. Nosso corpo utiliza cerca de 95% do oxigênio que consumimos para produzir energia.

Os 5% restantes formam as espécies tóxicas - os radicais livres. Em 1954, pela primeira vez a existência dos radicais livres foi relacionada a uma doenca incurável - o envelhecimento. 

Os elétrons sem par - por este motivo chamados “livres” - se combinam com várias outras estruturas celulares do organismo para destruí-las fazendo surgir enfermidades tais como: câncer, lúpus, artrite e doenças ósseas, enfisema e problemas cardio-vasculares.

Através do uso de vitaminas e minerais, a Medicina Ortomolecular neutraliza os efeitos tóxicos resultantes desta cadeia reativa. 

O paciente, encarado como um todo, forma o conjunto que deve funcionar harmoniosamente e passa a ter uma melhor qualidade de vida. Uma visão global ajuda a encontrar, entender e tratar a raiz da doença e detecta o ponto inicial de qualquer processo patológico.
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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Como funciona -1-...seu celular


 
Telecomunicação móvel funciona usando o princípio da rede celular.

Cada célula possui uma estação-base que assegura a ligação por ondas hertzianas com o telefone situado na sua área de cobertura.
A estação base se constitui de uma unidade de comando e muitas antenas emissoras e transmissoras geralmente fixadas numa base de cimento ou metálica, destinada especialmente a este fim.

As estacões são ligadas à central por uma linha telefônica convencional ou por um feixe de ondas hertzianas (ondas eletromagnéticas utilizadas na radiofonia).
Quando você se movimenta e seu celular deixa o raio de ação de uma célula, a ligação se estabelece automaticamente com a estação (célula) subsequente.

O tamanho da célula é decidido na ocasião da instalação da rede, em função do número de usuários previsto. Se a estacão base estiver situada numa área rural e seus usuários forem poucos, as células também serão pequenas (de 1 a 4 km de raio de alcance).
Nas grandes cidades as células são grandes (300 a 400 m de diâmetro) em função da utilizacão massiva.

O sinal radioelétrico da estação base deve ser bastante potente para permitir que um celular em limite de célula possa ser utilizado.
Se os celulares situados no interior de uma mesma célula forem usados muitas vezes e em chamadas demoradas, a estacão-base ficará sobrecarregada e a ligacão será enviada a outra estacão base de potência mais fraca.
Com a vulgarização da telefonia celular, as estacões-base estão ficando cada dia menores.

Como funciona seu telefone celular?
Você aciona sua agenda digital,clica o número desejado de outra pessoa que usa também um celular. 
Você disca o número. Seu telefone estabelece comunicação com a estação base mais próxima do local onde se encontra esta pessoa.
A estacão base “pergunta” à central principal de telefonia celular onde está registrado o número procurado: onde está a pessoa?
Se o celular da pessoa chamada não estiver desligado é possível localizar em qual área de célula o usuário se encontra no momento da chamada. Estabelecida a ligação com a estação-base correspondente, ela transmitirá sua conversação através de ondas hetzianas


Telefonia analógica e digital 
Os raios de alta frequência são utilizados como suportes de informacão. Uma conversa ao celular ou um fax é “gravada” sobre uma onda portadora.
Este procedimento se chama modulação. Lendo o sinal de alta frequência modulada, o celular receptor está em condição de receber a informacão do transmissor.

Um sistema de transmissão analógico permite que a frequência das ondas seja trocada facilmente.
O sistema, tal como é usado na França (GSM), por exemplo, transmite a informacão digitalizada em ondas “pulsantes”, consiste numa sequencia de 0 e de 1.
Estas séries de números são “gravadas” (como a música num CD) num sinal de alta frequência. Chegando ao receptor, são decodificadas e traduzidas em sinais analógicos.

O sistema muda nos diferentes países, mas o procedimento básico é o mesmo.
Os celulares e as estações-base emitem sinais entre si para que muitas pessoas situadas no alcance da mesma célula possam telefonar ao mesmo tempo.


Quando seu celular estiver ligado recebe, em intervalos regulares, sinais de controle da estação base correspondente e transmite uma espécie de “mensagem de presença” também em intervalos regulares (de cerca de 20 minutos). ************************************************************************

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Música de Câmara na ABL



Curiosidade ( da Wikipedia)

O Concerto para violino, violoncelo e piano foi escrito por Beethoven etre 1803 e 1805, sendo publicado em 1807 e estreado em  1808.

Trata-se do único concerto de Beethoven para mais de um instrumento solista.
 Beethoven começou a escrever a obra em 1803, época em que o Arquiduque Rudolf da Áustria   era seu aluno.  No entanto, não há registro de que Rudolf  a tenha executado  uma vez que ela só foi estreada em público em 1808, nos concertos de verão "Augarten",  em Viena.
Fora isso, quando foi publicada, a partitura trazia dedicatória a um patrono diferente, o príncipe Lobkowitz.

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domingo, 1 de outubro de 2017

Os 70 anos aos do MASP



2 de outubro de 2017 -70 anos do MASP -Museu de Arte de Sao Paulo.






Por meios pouco ortodoxos, Assis Chateaubriad, o magnata das comunicações no Brasil da época, conseguiu que por " livre e espontânea pressão", os milionários paulistas comprassem e doassem as obras de arte inicialmente expostas em salas da sede dos Diários Associados,à Rua 7 de Abril.
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Fernando Morais em seu livro "Chatô , O Rei do Brasil"detalha o episódio e,em etrevista para a  CARTA CAPITAL, revela detalhes  desta e de outras histórias sobre Chatô r

 https://www.cartacapital.com.br/revista/882/chatô-e-os-chatozinhos

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"Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello (foto), mais conhecido como Assis Chateaubriand ou Chatô, foi um jornalista, empresário, mecenas e político destacando-se como um dos homens públicos mais influentes do Brasil nas décadas de 1940 e 1960."
( Wikipedia) 


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Ótima retrospectiva do site GLAMURAMA

http://glamurama.uol.com.br/masp-comemora-70-anos-com-extensa-programacao-de-shows-oficinas-e-algumas-surpresas 

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terça-feira, 26 de setembro de 2017

O caso Dreyfus

Este é o último de meus 3  textos sobre casos rumorosos de injustiça e violação de direitos humanos e as obras de arte movidas pela indignacão 
que as pessoas,então, sentiram.




Caso Dreyfus -erro judiciário + antissemitismo

O julgamento e condenação de Alfred Drefus,brilhante oficial de artilharia do exército francês que estava servindo no Estado Maior, deram origem a uma comoção que dividiu o país e  repercutiu internacionalmente no final do século 19 e começo do século 20. 

A acusão de alta traição do judeu de origem alsaciana naturalizado francês (a França perdeu o território da Alsácia-Lorena em consequência da derrota para a Prússia),terminou com sentença de humilhante degradação pública e de  prisão perpétua,cumprida  na Ilha do Diabo,na Guiana Francesa. 

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Terminada a  Guerra Franco-Prussiana de 1870, o serviço secreto francês disfarçado sob o nome de "Seção de Estatística"continuou a funcionar,meio na clandestinidade,liderado pelo tenente coronel  Jean Conrad Sandherr.
A França estava frágil frente ao poderio do Kaiser e enfrentava uma campanha aberta pela exclusão dos judeus nas forças armadas.

O embaixador alemão,Conde Von Münster, deu sua palavra de honra para garantir que seus diplomatas não iriam corromper policiais e funcionários franceses.
Mas era de conhecimento público que o adido Maximilian von Schwartzkoppen, sem o conhecimento do embaixador, continuou a pagar espiões e manteve ligação direta com o Ministério da Guerra, em Berlim. 

24 de setembro de 1894 

Para manter o controle do que se passava em volta da "Seção de Estatística", contratou Marie Bastian,uma alsaciana que falava alemão fluente ,mulher de um soldado acidentado  da Guarda Republicana, "estúpida, vulgar, totalmente analfabeta  (como? se lia os papéis que recolhia?) com cerca de 40 anos de idade," para, supostamente fazer serviços de limpeza no escritório do adido militar alemão.


Sua missão principal era recolher todos os papéis rasgados ou queimados que encontrava nas cestas de lixo ou na lareira do escritório de Schwartzkoppen.

Marie guardava este material num saco e, periodicamente, levava ao conhecimento do embaixador.  
Um  papel rasgado em quatro pedaços que se encaixavam.contendo anotações  altamente confidenciais, provava que a segurança nacional estava em perigo.  

Essa é a versão oficial que foi aceita durante muito tempo mas,nas investigações posteriores,a carta-ou "borderô"como passou à História- teria sido encontrada intacta na caixa de correio do coronel Schwartzkoppen, na guarita do porteiro da embaixada. 

E foi trazida pelo agente Brucker que tinha sido intermediário entre  Marie Bastian e a contra-inteligência francesa.

Bode Expiatório

As informações contidas no borderô diziam respeito a material bélico  que seria enviado às manobras na fronteira alemã, conteúdo de um certo "manual de tiro", modificações nas formações na Artilharia e sobre a preparação de uma expedição para invadir Madagascar.
 E terminava (mais ou menos) assim: 


"Este documento é extremamente difícil de ser conseguido e eu  só posso tê-lo à minha disposição por apenas poucos dias.
O ministro da guerra distribuiu um certo número de cópias entre as tropase os oficiais são responsáveis por elas.
Cada comandante  que tiver uma cópia, deve  devolvê-la após as manobras.
Portanto, se você vai utilizar a partir dele o que quer que venha a lhe interessar, me devolva que vou conseguir outra cópia.

A menos que você prefira que eu copie as informacões  na íntegra e lhe mando.
Dreyfus réu 
Estou partindo para as manobras.
-D. "

Uma perícia encomendada pelo Estado Maior Francês e executada    pelo Comandante Du Paty –grafólogo amador-concluiu que, apesar de algumas diferenças, havia suficiente semelhança com a 
caligrafia de Dreyfus, o que justificava uma perícia legal.

A conclusão foi que o informante do adido militar alemão era um 
oficial francês e, sobretudo,devido ao tom das diversas informações contidas no "borderô", um oficial do Estado Maior. 

Nada justificava essa última hipótese. Ao contrário, muitas incorreções gramaticais,a dificuldade do autor obter o  "manual de tiro"- que era distribuído gratuitamente aos oficiais de artilharia- e a grande importância que o informante se atribuiu  apontam para o contrário: o suspeito não poderia pertencer ao Estado Maior. 


Os oficiais que periciaram o documento, inexperientes e preconceituosos,confundiram uma vaga semelhança da letra de Dreyfus com a do borderô e partiram para uma conclusão precipitada de culpa.

Julgamento,pena e humilhação pública-linha do tempo




Depois de um julgamento feito a partir de quase nada, Dreyfus é degradado e condenado a prisão perpétua e trabalhos forçados.

Durante a humilhação pública em que foram arrancadas a patente e medalhas da farda,gritava  sua inocência .

quase um julgamento feito a partir do zero, Dreyfus é degradado e condenado a trabalhos forçados por toda a vida.

Durante 1895, o verdadeiro culpado, comandante Esterhazy é desmascarado. Apesar da esmagadora evidência de sua culpa, ele foi absolvido.
Embarque para a Ilha do Diabo

O caso suscitou paixões e tornou-se público após o escritor Emile Zola ter publicado no jornal L'Aurore uma carta aberta ao Presidente da República, o famoso documento J'accuse. ( 3/1/1898 -reprodução abaixo)

Jornalistas como Georges Clemenceau, escritores como Charles Péguy, Anatole France e, especialmente, Zola assumiram a defesa de Dreyfus.

Outros detonaram uma campanha extremamente violenta contra , dado o contexto anti-semita e nacionalista que defendiam 
No entanto, novas revelações e o suicídio de um dos oficiais mais ferozes contra  Dreyfus (tenente-coronel Henry, ele-sim- fazia parte do complô que incriminou o capitão) demonstram um erro judiciário.
O Caso Dreyfus é levado ao Conselho de Guerra Rennes que refaz a sentença, e condena o ex-capitão (com circunstâncias atenuantes) a "apenas" dez anos de prisão.



A fim de acalmar os ânimos, 10 dias após a segunda condenação, o Presidente da República, Emile Loubet, dá graça por "razões de saúde".O prisioneiro apodrecia na prisão, alucinado e sem a menor idéia do que sua prisão havia causado.

Este não foi o reconhecimento da inocência de Dreyfus, mas  a oportunidade que lhe foi dada para continuar a lutar por sua reabilitação.

5 de março de 1904, o Tribunal de Cassação, após a descoberta de falsa  prova introduzida no registro, decide acolher  pedido de novo julgamento.

Em 12 de julho de 1906,sai o veredicto  favorável do Conselho Supremo de Guerra, em Rennes, e no dia seguinte a votação pelo Parlamento de uma lei restabelecendo Dreyfus no exército.

Em 21 de julho de 1906, 12 anos depois de sua condenação, Dreyfus recebe a Legião de Honra com o posto de comandante.

 Com a opinião pública da  França dividida, o escritor Emile Zola publicou no jornal L'Aurore uma carta aberta ao Presidente da República, o famoso "J'accuse"


Jornalistas como Georges Clemenceau, escritores como Charles Péguy, Anatole France e, especialmente, Zola assumiram a defesa de Dreyfus.

Outros fizeram campanha  contra extremamente violenta,pois o judeu Dreyfus seria o culpado ideal devido  ao contexto anti-semita e nacionalista vigente.

Novas revelações e o suicídio do tenente-coronel Henry mostram o  erro judiciário.
O Caso Dreyfus volta ao  Conselho de Guerra  em Rennes e reforma a sentença :com circunstâncias atenuantes : agora "apenas" dez anos de prisão. 

A fim de acalmar os espíritos, 10 dias após a segunda condenação, o Presidente da República, Emile Loubet, dá um indulto  por "razões de saúde"do prisioneiro.

Não é o reconhecimento da inocência de Dreyfus, claro,mas a oportunidade que lhe foi dada para continuar a lutar por sua reabilitação.
5 de março de 1904: o Tribunal de Cassação após a descoberta de falsas informações aprova   pedido de novo julgamento.
 12 de julho de 1906 :  sai o veredicto Conselho de Guerra, em Rennes e ,no dia seguinte,o Parlamento vota  uma lei reintegrando Dreyfus no exército.

Em 21 de julho de 1906, 12 anos depois de sua condenação, Dreyfus recebe a Legião de Honra com o posto de comandante


 Num julgamento feito a partir do zero, Dreyfus é degradado e condenado a trabalhos forçados por toda a vida.

Durante 1895, o verdadeiro culpado, comandante Esterhazy é desmascarado. Considera-se, e, apesar da esmagadora evidência de sua culpa, ele foi absolvido.

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A campanha extremamente violenta, dado o contexto anti-semita e nacionalista, forneceu uma culpado ideal, uma vez que o réu era alsaciano judeu.  

No entanto, novas revelações e o suicídio de um dos oficiais mais ferozes contra Dreyfus (tenente-coronel Henry) conduzem a um erro judiciário.

O dossiê  é mandado  ao Conselho de Guerra em  Rennes  que,fazendo a revisão, o condena (com circunstâncias atenuantes) a "apenas" dez anos de prisão.

A fim de acalmar os ânimos, 10 dias após a segunda condenação, o Presidente da República, Emile Loubet, dá graça por "razões de saúde".

Este não é o reconhecimento da inocência de Dreyfus, mas esta é a oportunidade que lhe foi dada para continuar a lutar por sua reabilitação.

5 de março de 1904, o Tribunal de Cassação, após a descoberta de falsa introduzida no registro, admissível diz que o novo pedido de novo julgamento.

Em 12 de julho de 1906, o veredicto Guerra Supremo Conselho Rennes, e no dia seguinte a votação pelo Parlamento de uma lei restabelecendo Dreyfus no exército.

Em 21 de julho de 1906, 12 anos depois de sua condenação, Dreyfus recebe a Legião de Honra com o posto de comandante.

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Algumas das incontáveis repercussões do "affair":


* O Caso Dreyfus teve vários subprodutos:
demonstrou o papel fundamental da imprensa de "fazer a cabeça" da opinião pública;destacou ainda a responsabilidade dos intelectuais, cientistas, escritores, artistas no desenvolvimento de idéias; mostrou que a razão poderia prevalecer sobre o obscurantismo, especialmente na luta contra o racismo 
  
*A Liga dos Direitos Humanos nasceu durante o caso Dreyfus.

 * Rui Barbosa, no Brasil, tomou parte na campanha a favor de Dreyfus escrevendo artigos e editoriais




*L’affaire Dreyfus (peça teatral escrita por Hans Rehfisch eWilhelm Herzog, sob o pseudônimo de René Kestner), em 1931

*Hannah Arendt,filósofa: "As paixões fervorosas, os personagens envolvidos na carta, todas as “dramatis personae” do processo pertencem ao século XIX e não teriam sobrevivido às muitas transformações do século seguinte" .



*J' Accuse! (O Julgamento do Capitão Dreyfus,título no Brasil)   drama biográfico britânico-americano de 1958,dirigido e estrelado por José Ferrer

*No trecho do filme (em  inglês e  legendado) "A Vida de Emile Zola"
a degradação pública de Dreyfus
clique aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=2WhF5nVy03g

*Documentário em inglês
aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=YcKnFK3HBvs

  
*A Agência Reuters divulgou em junho de 2014 que "o  diretor Roman Polanski quer fazer um filme na sua Polônia natal sobre o famoso caso Dreyfus se conseguir garantias de que não terá problemas legais derivados de uma condenação por crime sexual nos Estados Unidos em 1977, disseram seus associados.
 Após a Segunda Guerra Mundial ele voltou a Cracóvia, e mais tarde emigrou.
"Roman Polanski cogita filmar na Polônia a respeito do caso Dreyfus”, declarou seu advogado polonês, Jerzy Stachowicz, à Reuters."
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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Trilogia das Injustiças-Parte 2- Caso Rosemberg

Julius e Ethel Rosemberg


 





*Julgamento e execução por conspiração com o objetivo de espionagem, no periodo de 'caça às bruxas” organizado pelo senador McCarthy,em 1953.





*Antissemitismo.







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Quem era quem:

J. Edgar Hoover

Racista dos mais violentos, perseguidor de comunistas ou simpatizantes, torturador de jornalistas, editores e militantes dos direitos civis, o abominável chamava-se John Edgard Hoover.
Seu avô, pai, sobrinho e irmão trabalharam para o governo. Mas ninguém na família - e no serviço público norte-americano - até hoje teve tanta importância. Chefiou com mão de ferro, durante 48 anos, o FBI. No governo do Presidente 
John Calvin Coolidge, sabe-se lá por que razão obteve o cargo vitalício

Tornou-se famoso e temido pelas perseguições contra membros do Partido Comunista.
 Nos anos 50, mergulhou de cabeça no Macartismo ou a ‘Era do Pânico Vermelho’, um movimento conservador e anti-comunista ocorrido nos Estados Unidos entre 1950 a 1954 liderado pelo senador Joseph McCarthy e seus adeptos.
Hoover usou e abusou da delação e da intimidação e se dedicou a infernizar a vida de comunistas e simpatizantes, causando suicídios, provocando exílios 
voluntários e encerrando carreiras promissoras nas artes e no cinema.

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O casal

Julius Rosenberg nasceu em Nova York  em12 de julho de 1919, filho de imigrantes judeus russos. 
Ingressou na  Liga Jovem Comunista muito jovem.Já como líder, em 1936, conheceu Ethel Greenglass,também militante, com quem se casaria três anos depois,no mesmo ano de sua formatura  em engenharia elétrica no City College de Nova York.
Em 1942, passou a trabalhar no Exército como técnico de radar.  

Ethel Greenglass nasceu em  28 de setembro de 1915,também numa família de judeus russos de Nova Iorque. 

Desejava ser cantora e atriz ,mas deixou os sonhos artísticos para 
ajudar no sustento da família e acabou  por se tornar secretária em uma companhia de navegação. 

Frequentava a Liga Jovem Comunista, onde conheceu Julius. 

Os Rosenbergs tiveram dois filhos, Michael (1943) e Robert (1947)

 A "Guerra Fria"

A Guerra Fria foi um confronto politico-ideológico  iniciado em torno de 1947 e causado pelas tensões pós- 2a Guerra Mundial entre o bloco capitalista liderado pelos Estados Unidos e o bloco leste-comunista liderado pela União Soviética.
Durou até os eventos que resultaram na dissolução da União Soviética (na Perestroika de 1985), na queda do Muro de Berlin em 1989 e no golpe na URSS em 1991. 
Um bloco nunca atacou diretamente o outro-daí o nome "Guerra Fria-,mas o conflito marcou grande parte dos eventos na segunda metade do século 20.

A bomba nuclear russa
A bomba nuclear russa



 Em agosto de 1945,explodiu a bomba atômica em Hiroshima, selando a vitória dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Quatro anos depois,em 28 de agosto de 1949,a União Soviética 
lançou sua  própria bomba A,a 130 km da cidade de Semipalatinsk, a noroeste da República Soviética do Cazaquistão.
 usando protocolos praticamente idênticos aos do artefato norte-americano. 
  
O presidente Harry Truman ficou perplexo porque não só os cientistas como a CIA  estavam certos que a URRS precisaria de,pelo menos, dez anos para desenvolver suas armas atômicas.    
 Estava claro que os soviéticos haviam recebido informaçõoes ultrassecretas

***
Fevereiro de 1950 - preso em Londres o cientista britânico Klaus Fuchs, participante do projeto nuclear americano.
Interrogado, admitiu  ter passado dados importantes sobre a produção da bomba à espionagem russa. A revelação desencadeou uma série de prisões, inclusive a do agente   americano Harry Gold que se reportava a  Fuchs e chegou ao  irmão de Ethel,o sargento David Greenglass, que servia em Los Alamos.
A segurança em Los Alamos era falha, daí ter Greenglass conseguido entregar ao seu cunhado   importantes informações que foram desenvolvidas para a bomba americana  
A prisão dos Rosenberg aconteceu em plena época de histeria anticomunista nos Estados Unidos orquestrada por MCCarthy. Qualquer pessoa que alguma vez tivesse manifestado a mínima  
simpatia pelo regime soviético era considerada suspeita

***.
 Julius Rosenberg foi levado pelo FBI em 17 de julho de 1950 e, um mês depois foi a vez de Ethel ser aprisionada,
Foram condenados em março de 1951  por “conspiração com o objetivo de espionagem”, 


Todo o aparato da Justiça,do promotor ao procurador-geral Irving Saypol (conhecido como o terror dos vermelhos”),   contribuiu para uma pena muito pesada para o casal Rosenberg.  

Na prisão de Sing-Sing, perto de Nova York, eles negaram a culpa até o fim –num momento em que  confessá-la  poderia salvá-los da cadeira elétrica.
Confessar significaria delatar outros companheiros e estava fora de questão.
 Foram condenados à morte em 29 de março de 1951. 
O caso  repercutiu e ganhou notoriedade em 1952. 
Os comunistas  tomaram a defesa  de Julius e Ethel e lançaram uma campanha mundial para salvá-los, denunciando um processo injusto.  A opinião pública mundial se envolveu, em vários países foram montados comitês  apolíticos de apoio .O papa Pio XII pediu clemência. 

 A Suprema Corte anulou o adiamento da execução e rejeitou oito vezes ações do advogado de defesa,    O presidente  Eisenhower negou todos os pedidos afirmando que "os Rosenberg, com a sua traição, aumentaram "incomensuravelmente" a probabilidade de uma guerra atômica, e que talvez houvesem condenado à morte, no mundo inteiro, dezenas de milhões de seres inocentes". 

Em frente a Casa Branca, manifestantes conduziam cartazes em que pediam a libertação do casal.
Em 19 de junho de 1953,Ethel e Julius foram informados da execução imediata e,depois, da permissão para um último encontro de uma hora e meia.

***
. O irmão de Ethel, David Greenglass, que forneceu documentos a Julius, cumpriu 10 dos 15 anos de sua pena.
 Harry Gold, o mensageiro de  Klaus Fuchs, que forneceu informações  detalhadas aos soviéticos sobre a bomba atômica, 
cumpriu 15 anos.

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Noticiário na tv americana no dia da execução:



Os filhos Robert e Michael passaram por guarda da avó paterna, abrigos para órfãos, foram adotados primeiro por uma família Bach e, finalmene, pelo casal Meeropol, sobrenome que  usaram por muito tempo.  Retomando o 
"Rosenberg",começaram uma cruzada para esclarecer  o passado.
Michael é economista e professor aposentado.
Robert,antropólogo, esteve no Rio,a convite do Centro Cultural MIDRASH, em junho de  2012,dando palestras e divulgando o trabalho da FundaçãoRosemberg que ele e o irmão Michael fundaram para auxiliar filhos de casais que estejam passando por dificuldades.

O drama do casal  rendeu  livros, filmes e documentários ,inclusive o dos diretores Robert e Clara Kuperberg,exibido para o público presente no MIDRASH.  

Ethel escreveu 568 cartas em Sing Sing, reunidas no livro "Cartas da casa da morte"",mais tarde revisto e reeditado pelo filho .Michael

O  livro "O caso Rosenberg 50 anos depois" de Assef Kfouri (Códex,2003)  traz informações fundamentais para melhor compreensão do processo
,inclusive  tradução da carta de Ethel para seus filhos,escrita poucas horas antes da execução


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  Texto da carta final de Ethel aos fihos  (em inglês)


Dearest Sweethearts, my most precious children,     Only this morning it looked like we might be together again after all. Now that this cannot be, I want so much for you to know all that I have come to know. Unfortunately, I may write only a few simple words; the rest your own lives must teach you, even as mine taught me.     At first, of course, you will grieve bitterly for us, but you will not grieve alone. That is our consolation and it must eventually be yours.     Eventually, too you must come to believe that life is worth the living. Be comforted that even now, with the end of ours slowly approaching, that we know this with a conviction that defeats the executioner!     Your lives must teach you, too, that good cannot flourish in the midst of evil; that freedom and all the things that go to make up a truly satisfying and worthwhile life, must sometime be purchased very dearly. Be comforted then that we were serene and understood with the deepest kind of understanding, that civilization had not as yet progressed to the point where life did not have to be lost for the sake of life; and that we were comforted in the sure knowledge that others would carry on after us.     We wish we might have had the tremendous joy and gratification of living our lives out with you. Your Daddy who is with me in the last momentous hours, sends his heart and all the love that is in it for his dearest boys. Always remember that we were innocent and could not wrong our conscience.     We press you close and kiss you with all our strength.
                                                                           Lovingly,                                                                       Daddy and Mommy

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No Brasil, o Maestro Edino Krieger musicou e arranjou para coro a carta de Ethel,"If we die", apresentada pela primeira vez nos 60 anos da execução dos Rosenberg: