sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Lei Maria da Penha- 11 anos


 





A Lei número 11.340, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Lula em 7 de agosto de 2006, ficou conhecida como Lei Maria da Penha - uma homenagem à garra e coragem da farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes (foto),que foi espancada pelo marido durante anos, até ficar paralítica.


Desde a sanção da Lei,  foram abertos mais de 300 mil processos e promulgadas mais de 100 mil sentenças. 


A lei alterou o Código Penal Brasileiro e determinou que agressores de mulheres no âmbito doméstico ou familiar sejam presos em flagrante (até agora mais de 1500 )ou tenham sua prisão preventiva decretada.



Os numeros parecem ínfimos comparativamente ao tamanho do país,mas significou o fim das sentenças alternativas.Antes, o agressor ficava solto aguardando condenação e continuava a maltratar a mulher.
  STJ amplia ação da lei,dispensando presença da agredida no seu artigo 16

“Art. 16. São de Ação Penal Pública Incondicionada os crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher definidos nesta Lei.

§1º. Nos crimes de que trata o caput deste artigo, procede-se mediante representação da ofendida apenas nos casos de ameaça ou naqueles que resultam lesões leves ou culposas.

§2º No caso do §1º deste artigo, só será admitida a renúncia à representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público.”

Outros casos
Namorados, noivos, maridos e até mesmo irmãos.
Não importa o nível de envolvimento. O STJ entende que qualquer relacionamento amoroso ou afetivo pode terminar em processo judicial com aplicação da Lei Maria da Penha, se envolver violência doméstica e familiar contra a mulher. 


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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Dolores Duran




NOITE DE PAZ
Dá-me, Senhor

Uma noite sem pensar

Dá-me Senhor
Uma noite bem comum

Uma só noite em que eu possa descansar

Sem esperança e sem sonho nenhum

Por uma só noite assim posso trocar

O que eu tiver de mais puro e mais sincero

Uma só noite de paz pra não lembrar

Que eu não devia esperar e ainda espero.

(Segundo a escritora Ivana Arruda leite,”Noite de Paz” -de autoria de Dolores,devia ser adotado como Hino das Geminianas )
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Dolores Duran, cantora, instrumentista, atriz e compositora foi o nome artístico que Adiléia Silva da Rocha, escolheu.
Nasceu no Rio, em 7 de junho de 1930,filha de um sargento da Marinha que faleceu quando ela tinha 12 anos,

Muito menina, comecou a cantar onde houvesse um público para ouvir-inclusive em circos,e ganhou o primeiro prêmio do programa de “’Calouros em Desfile: de Ari Barroso, prova de fogo para quem desejava seguir a carreira artística. 

Aos  16 anos adotou o sonoro nome artístico Dolores Duran.Cantava perfeitamente em inglês, francês, italiano e espanhol. Tão bem que a grande  Ella Fitzgerald declarou  que foi na voz dela que ouviu a melhor interpretação de  My Funny Valentine, um clássico da música norte-americana. 
No final da década de 1940, Dolores estreou na Rádio Nacional, a principal emissora do Brasil e no mercado fonográrico dois anos depois. Apresentou dois sambas para o Carnaval de 1953dois sambas para o Carnaval do ano seguinte: Que bom será (Alice Chaves, Salvador Miceli e Paulo Marquez) e Já não interessa (Domício Costa e Roberto Faissal). 
 
Entre 1953 e 1955 gravou Outono (Billy Blanco), e Lama (Paulo Marquez e Alice Chaves).   Canção da volta (Antonio Maria e Ismael Neto), Bom querer bem (Fernando Lobo), Praça Mauá (Billy Blanco) e Carioca (Antonio Maria e Ismael Neto).Gravou “Fia de Chico Bento”, de Chico Anísio

Em 1955,  casou-se  com o radioator e músico Macedo Neto.

E teve um infarto,que a deixou um mês hospitalizada.
Boêmia,alegre, comunicativa e teimosa como boa geminiana que era,não seguiu as recomendações médicas,o que agravou seu estado de saúde.
Bebia e fumava muito, e tinha seus momentos de profunda depressão. 

No ano seguinte, um jovem compositor apresentou a Dolores uma composição dele e de Vinícius de Moraes.Tratava-se de Tom Jobim.
Ele conta no depoimento ao programa da Tv Gobo em homenagem `a Dolores(1974)  que ela tirou um lapis de sobrancelha a bolsa e em poucos minutos fez a letra da linda “Por causa de você”
O gentil poeta cedeu a vez a Dolores e a seu talento como compositora .  

Ela é autora de Estrada do Sol, Idéias Erradas, Minha Toada e A Noite do Meu Bem, entre outros.Em 1958, separou-se  de Macedo Neto e passou meses na Europa com um conjunto musical.
 
De volta ao Brasil adotou uma menina  órtã de pai e mãe, Maria Fernanda. Macedo Neto também participou da adoção.  

Durante os dois últimos anos de vida, compôs algumas das mais lindas  músicas da MPB :Castigo, A Noite do Meu Bem, Olha o Tempo Passando e Estrada do Sol, entre tantas outras.

 Em 23 de outubro de 1959, aos 29 anos, chegou em casa do trabalho na boite VOGUE  às 7:00 da manhã brincou com a filha e pediu `a empregada : "Rita,Não me acorde. Estou cansada. Vou dormir até morrer" 
Ao entrar no quarto,teve um infarto,dessa vez fulminante,fatal.
 
Em 17 de julho de 2008, o Especial "Por toda a minha vida",programa da TV Globo que homenageia grandes artistas falecidos,foi dedicado a ela.
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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

"Agosto,mês do desgosto"-Inferno astral do Brasil

"Bate na madeira,pé de pato,mangalô três vezes'

Gente muito querida minha nasceu em agosto, seres do bem e que me trazem muita sorte e felicidade.
O título e o texto são apenas documentação das crendices. Nada pessoal. 

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"A 24 de agosto,
Data esta receosa
Por ser a em que o diabo pode
Soltar-se e dar uma prosa,
Se deu o famoso parto
Da vaca misteriosa"
(do folclore nordestino)
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*O mês de agosto é considerado, nos países latinos, de mau agouro para qualquer tipo de atividade.
*Na Argentina há uma tradição oral que diz que "lavar a cabeça em agosto chama a morte". 
*Dizem que primeira sexta feira de agosto é dia perigoso para negócios e viagens. Sexta feira 13 de agosto é considerado dia aziago (dia de azar, de má sorte, indesejável).  
*Rezam as tradições populares que no dia 24 de Agosto, Dia de São Bartolomeu, os diabos fogem da vigilância angelical e ficam em liberdade. 

*A Boda de Sangue, episódio também conhecido como "Noite de São Bartolomeu" ceifou mais de 20 mil vidas.
Ocorreu em 24/08/1852, na França, marcando o massacre dos huguenotes.
"Em dia de São Bartolomeu tem o demo uma hora de seu".

*Considerado o mês desmancha-prazeres da humanidade ,foi na famigerada segunda feira 01/08/1914, que começou a 1ª Guerra Mundial.
BRASIL VIRGINIANO
Os astrólogos costumam considerar como "nascimento" do Brasil o dia 7 de setembro de 1822, entre 16.11hs e 16.58 hs, no riacho do Ipiranga, hoje um bairro de São Paulo. 
Seu signo solar Virgem, senhor da 6ª casa do zodíaco, empresta à nossa nação seu caráter engenhoso, mutável mas passivo, tendendo à autodestruição.  
Este aspecto zodiacal faz com que o país esteja sempre buscando o conceito de "país do futuro", projetando detalhes e esquecendo o conjunto. A saúde coletiva é debilitada em contraste com as desejadas - e nunca encontradas - abundância econômica e riqueza cultural. 

A Lua em Gêmeos faz com que nosso povo seja hábil em se adaptar às mais diferentes situações e reaja com a criatividade e bom humor de seu intelecto ativo aos sucessivos golpes com que o mau caráter corrupto, a incompetência e a pusilanimidade de seus representantes vem lhe "presenteando" através da História. 

 Até a sacudidela de junho de 2013,o povo permanecia insensível,como que acostumado diante das misérias fazendo mau uso do campo das comunicações: eis lado escuro do signo de Gêmeos. E o que nos espera?  

O ascendente, que pode ser Peixes ou Aquário, dependendo dos cruciais 47 minutos da data da independência, traz imensa riqueza hídrica. Mas Peixes representaria o carnaval, a miscigenação, a musicalidade de nosso povo e o esporte mais popular, o futebol, que é jogado com os pés - parte do corpo regida por Peixes. 

O caráter pisciano é de povo que vive preso ao passado, afável e atraente, mas muito provinciano.
AGOSTO DE DESGOSTO NA HISTÓRIA E NO BRASIL
* Agosto 1822 - D Pedro I proíbe desembarque das tropas portuguesas no Brasil  

*9 de agosto de 1939 - Alemanha de Hitler e a União Soviética de Stálin firmam entre si um pacto de não-agressão, que estabelece, secretamente, a partilha do território polonês entre as duas nações.  

* 6 de agosto 1945 - Bomba Atômica em Hiroshima 

* 9 de agosto de 1945 - 2ª Bomba Atômica em Nagasaki  
* 13 de agosto de 1957 - Decretação do estado de calamidade pública no Brasil em conseqüência da "gripe asiática".

*Agosto de 1958 - uma violenta explosão seguida de um pavoroso incêndio, num paiol de pólvora do Exército em Marechal Deodoro (Rio de Janeiro), matou dezenas de pessoas, deixando milhares de desabrigados. 
* *08:30 horas do dia 24 de agosto de 1954 - suicídio de Getúlio Vargas.  
* 31 de agosto 1969 - General Arthur da Costa e Silva, "presidente" militar deixou o cargo, depois de uma trombose cerebral.  

* 22 de agosto de 1976 - Juscelino Kubitschek morreu em um acidente de carro em Resende (Rio de Janeiro).

*28 de agosto de 1992 - a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. 

* Agosto de 2009 -O perigo de contágio da gripe suína faz o mês começar com mais de 16 milhões e 400 mil estudantes,em todos os níveis, sem aulas.O subproduto dessa paralisação ninguém pode prever.

2013-Manifestações por todo o país,cortes na Marinha,pactos sociais não cumpridos,desordem geral e outros tantos problemas que a maravilhosa visita do Papa não conseguiu colocar debaixo do tapete

13 de agosto de 2014-Morto em um acidente aos 49 anos, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Henrique Accioly Campos(PSB) teve uma carreira de sucesso na política do Estado. Foi ministro e tentava a Presidência da República. 
Deixou esposa e cinco filhos.  

*No ano de eleições gerais,fomos surpreendidos diariamente com escândalos, desmandos, "malfeitos",propaganda política mentirosa e muito mais.

* "Nunca antes na História desse país", foi noticiada tanta corrupção.Mas,em contrapartida, vendo tantos figurões dividindo celas comuns no Paraná, dá pra ver um minúsculo pontinho de luz no fim do túnel.

*Em 31/8/2018 foi decretado o impeachment de Dilma Rousseff 

*Hoje, 2/8/2017,após turbulenta sessão na Câmara dos Deputados em 
Brasília, foi evitado o afastamento de Michel Temer.

Que Deus nos ajude.

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domingo, 30 de julho de 2017

Mondrian

Pieter Cornelis Mondrian,   pintor holandês modernista. 
1872-1944


Criou o movimento artístico neoplasticismo e lançou as bases da pintura concreta          
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Pieter Cornelis Mondriaan, mais conhecido como Piet Mondriaan  , nasceu em Amersfoort em 07 março  de 1872 .
Começou sua carreira em 1892, na Academia Imperial de Belas Artes de Amsterdam Inicialmene,  
pintava paisagens.  
Depois, começaram experiências com luz, cor e forma. Os primeiros trabalhos seguiam  a tradição da Escola de Haia e os impressionistas  de Amesterdam, mas por volta de 1909, começaram as pinturas estilo abstrato.

 Em 1911, veio a mudança para Paris, onde ele se sentia confortável entre os artistas abstratos e cubistas, como Picasso e Braque. 
 
O movimento de arte De Stijl 

Durante a Primeira Guerra Mundial, na Holanda, foi co-fundador da De Stijl, um movimento de arte que influenciou pintura, arquitetura e design na Europa.
 Além disso, ele começou a formular suas próprias teorias estéticas e  chamou seu estilo e os princípios artísticos  ali contidos de "Neo".Durante a Segunda Guerra Mundial, Mondrian foi para Nova York, onde ele foi inspirado pelo a jazz e  pela arte moderna.  

1944 -Mondrian, acometido de  pneumonia foi hospitalizado , onde ,poucos dias ele alguns dias depois, em 1 de Fevereiro, morreu
Sua famosa obra "Victory Boogie Woogie"  ficou inacabada.

  As obras
As obras de Mondrian, em seu período abstrato puro, são mundialmente famosos.  



Os abstracionistas  acreditavam que pintores, escultores e arquitetos deviam trabalhar juntos para criar um novo mundo no qual as pessoas podem viver em harmonia com as leis do universo. 
As formas que se encaixam nessa filosofia eram  firmes : foram usadas linhas retas e as  superfícies eram pintadas com as cores primárias vermelho, azul e amarelo e nanão cores brancas, cinzentas e negras
Todas as formas e cores desnecessárias foram proibidas, e as   áreas de cores primárias foram divididas por linhas horizontais e verticais .  
Esta visão universal, com base na intuição e insight de Mondrian, criou uma beleza ordenada e equilibrada.  
Onde são exibidas as obras de Mondrian? 

A maior coleção Mondrian no mundo pode ser admirado no Gemeentemuseum em Haia. 
Os visitantes podem observar trabalhos de seus últimos anos em Nova York, acompanhando o desenvolvimento do artista desde seus primeiros anos em Amsterdam.  

Ali está "Victory Boogie Woogie', última pintura inacabada de Mondrian
m Winterswijk onde Piet Mondrian passou sua juventude, desenhos e pinturas  estão expostas mostrado na Villa Mondrian.
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( texto traduzido e editado  de material de divulgação do órgão oficial de turismo holandês) 
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(continua!)


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Helio Oiticica-ícone da contracultura no MoMa

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 Oiticica no Museu de Arte Moderna de Nova York
 Sobre a exposição:
https://www.moma.org/artists/7715https://www.moma.org/artists/7715

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Qual é o parangolé?
O tempo passa, voa e a questão do machismo latino ainda não foi bem resolvida quando se trata de oprimir o comportamento homossexual.
James Saslow, arquiteto, historiador,ativista americano e atualmente professor do Departamento de Arte no Queens College da Universidade da Cidadede Nova York, é interessado nas manifestações de artistas da comunidade LGBT em geral e na postura machista referente às artes plásticas na America Latina, em particular.
Em recente artigo, Saslow dissecou a arte gay do México à Argentina e concluiu que “a visível expressão da homossexualidade é abalada por atitudes sociais discriminatórias”.
A figura humana e a obra do carioca Helio Oiticica (foto) rompem o paradigma. Os reflexos dos episódios de Maio de 1968 na França - que como um rastilho de pólvora se espalharam pelo mundo - chegaram ao Brasil no auge da cruel ditadura militar em tempos de AI-5 e já encontrando respostas artísticas em andamento. Com talento e audácia no DNA, Oiticica  criou o conceito de “Tropicalia”; participou da histórica Bienal de Veneza de 68; utilizou o samba como inspiração de trabalho numa sociedade elitizada; criou os parangolés, os bólidos e os penetráveis usando material barato (pedaços de pano) que convidavam o espectador a interagir.
Oiticica, com sua criatividade, antecipou o movimento “arte povera” na Itália, em que os artistas usavam materiais alternativos (trapos de tecido, terra e madeira) e derrubavam os muros entre a arte e a vida real.

Berço esplêndido

Helio Oiticica nasceu em berço realmente esplêndido e liberal, na cidade do Rio de Janeiro, em 26 de julho de 1937.

Para se ter idéia de sua cabeça multifacetada, é preciso retroceder duas gerações.

José Oiticica, avô paterno, era uma figura.
Depois de ter estudado (e abandonado) medicina e Direito dedicou-se à pesquisa da língua portuguesa.

Era catedrático no Colégio Pedro II – na época, o Colégio Padrão fundado pelo Imperador e que gabaritava o ensino no Brasil.
A crônica familiar diz que reprovava até as sobrinhas. Criou a primeira gramática moderna de nosso idioma. Era poeta parnasiano, membro da Fraternidade Rosacruz e escreveu “O anarquismo ao alcance de todos”.

O pai de Helio, José Oiticica Filho, era entomólogo e totalmente avesso ao ensino tradicional. 
Deixou a alfabetizacão e primeiras letras dos filhos (Helio, Cesar e Claudio) por conta da mãe, Angela.

Filhos dele servindo Exército? Nem pensar. Foram proibidos de procurar o quartel. Enquanto estudava e classificava seus insetos, pintava e fotografava nas horas vagas.


Helio pintor, escultor e performático

Aluno de Ivan Serpa no MAM-Rj, integrou, com seu mestre, Lygia Clark Franz Weissmann e Amilcar de Castro, entre outros,o Grupo Frente, dentro dos princípios da arte concreta.

Em 1959, antenado no movimento conceitual que rolava na Europa e Estados Unidos, Helio – influenciado pela obra do pintor russo Casimir Malevich –assinou o Manifesto “Neo Concretismo”.

A obra inovadora e revolucionária prossegue com a série dos “metaesquemas” - guache sobre papel onde quadrados e retângulos dão a impressão de mobilidade.

Com o mesmo grupo de amigos artistas plásticos, participou da Bienal Internacional de 1957, em São Paulo, e de exposições no Rio e em Salvador.


Representou o Brasil na exposição de arte concreta realizada em 1960 em Zurique, na Suíça Foi a fase dos penetráveis, que propiciavam a integração da obra, em forma de labirinto, com o espectador.
Expôs nas coletivas de vanguarda “Opinião 65","Opinião 66", "Nova Objetividade Brasileira" e "Vanguarda Brasileira”. 
Teve mais duas participações nas Bienais de São Paulo de1959 e 1965 e na Bienal da Bahia, em 1966.
 
Seja marginal,seja herói”

Em 1964, passou a freqüentar a escola de samba da Mangueira, tornando-se passista. Integrou-se à comunidade para surpresa das elites.
Mais surpresas elas ficaram quando,tendo ao fundo o corpo do bandido “Cara de Cavalo”,morto em confronto com a polícia, cunhou a frase “Seja marginal,seja herói” .

O palco do show tropicalista da boate Sucata (outubro de 1968) era decorado com uma bandeira estampando o slogan de duplo sentido e o espetáculo foi interrompido pela Censura.

Hoje, com a “Cidade do Samba” em Santo Cristo (imediações do Cais do Porto do Rio), mostrando todas as etapas da criação de um enredo carnavalesco e os camarotes da Sapucaí sendo uma vitrine “para ver e ser visto”, o leitor não imagina o que significou o gesto ousado do Helio.ao se integrar na comunidade mangueirense.

Ali surgiram os seus parangolés, primeira das manifestações ambientais do artista que usava capas, estandartes e tendas de algodão ou náilon, com poemas em tinta sobre o tecido. 
Quando fechados, os parangolés eram "as asas murchas de um pássaro", e “ bastava alguém vesti-las e abrir os braços para que se confundissem com uma asa delta para o êxtase”, como definiu o poeta Haroldo de Campos.


“Qual é o parangolé”?, na gíria carioca da época, significava “Qual é a parada?” ou “Qual é a boa?”

A seguir, Hellio Oiticica montou a instalação sala de sinuca (1966) e o penetrável"Tropicália’, um jardim com pássaros vivos entre plantas, lado a lado com poemas-objetos.

Tropicália não só nomeou mas também consolidou a estética do movimento tropicalista na música brasileira, nos anos 1960 e 1970. 

No "Apocalipopótese" (1968), reuniu várias manifestações performáticas junto com de outros artistas, no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro.

O conjunto dessas experiências pioneiras foi tema de uma importante exposição, realizada em 1969 na Whitechapel Gallery de Londres, inaugurando, segundo Helio, "uma experiência ambiental (sensorial) limite".

Em 1970, participou da mostra, organizada pelo Museum of Modern Art (MoMA) e recebeu bolsa da Fundação Guggenheim.

Viveu nos Estados Unidos durante oito anos e, na volta ao Brasil, se fixou no Rio de Janeiro. 

Sempre focado na pesquisa e na inovação, criou os bolides, núcleos compostos de pedras, cristais e asfalto, acomodados em caixas de vidro.
O uso de materias baratos inspirou muita gente da moda e, em futuro próximo, o movimento “povera,’ na Itália.
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14/3/1980-Sozinho em casa, teve um aneurisma cerebral e, lúcido mas imobilizado e mudo passou por quatro dias de agonia, até que amigos preocupados com a ausência arrombaram a porta do apartamento. 
Helio Oiticica morreu em 22 de março de 1980

Maio de 1968
Em maio de 1968, uma série de protestos estudantis e uma greve geral quase causaram a queda do governo da França, então presidida pelo General Charles de Gaulle, herói nacional.

Embora protestos, na maioria, fossem orquestrados por esquerdistas, as instituições políticas e os sindicatos de classes ficaram longe do rumo que tomou o movimento. 

Uma série de greves estudantis terminou em confrontação com a polícia, na Sorbonne, no Quartier Latin. 
As manifestações acabaram sendo uma oportunidade para subverter a moral tradicional, baseada no sistema de educação e no emprego. Na Itália e na Holanda os estudantes se revoltaram contra a ordem burguesa.
Meses antes, nos Estados Unidos, o movimento contra a Guerra do Vietnã tinha radicalizado geral, acusando o capitalismo selvagem de instigar o caos.

No Brasil, o famigerado governo militar decretou o AI-5, punindo artistas e intelectuais. como revanche do desejo de liberdade. 
Foi a debandada, Gil, Caetano, Chico Buarque, Betinho e tantos outros foram “convidados a se retirar”.

 O que hoje é História já doeu muito.

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No "Catálogo das Artes", as principais obras de Helio Oiticica  (com detalhamento) 
Clique aqui e veja!
https://www.catalogodasartes.com.br/Lista_Obras_Biografia_Artista.asp?idArtista=258https://www.catalogodasartes.com.br/Lista_Obras_Biografia_Artista.asp?idArtista=258
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quinta-feira, 20 de julho de 2017

terça-feira, 18 de julho de 2017

Compre-me o Céu: a Incrível Verdade Sobre as Gerações de Filhos Únicos da China

  Lançamento editorial -Companhia das Letras


Texto da apresentação da Editora :
  "Este livro fala de homens e mulheres nascidos na China depois de 1979 - as gerações recentes criadas sob a política do filho único. 

Dentro de suas famílias, são vistos como príncipes, mas tanto afago os tornou isolados, confusos e incapazes de lidar com a vida prática. 

Do filho de um executivo incapaz de arrumar a própria mala ao aluno de doutorado que superou a extrema pobreza, Xinran mostra como essas gerações encarnam os medos e as esperanças de um grande país num tempo de mudanças sem precedentes.
É um momento de fragmentação, em que o capitalismo convive com o comunismo, a cidade com o campo e as oportunidades do Ocidente com as tradições do Oriente. 

Por meio das fascinantes histórias de filhos únicos, capturamos uma faceta decisiva da China contemporânea."


Tradução: Caroline Chang

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A autora:


 

Xinran

Xinran é uma jornalista, radialista e escritora chinesa. 
Trabalhou em Nanquim até 1997, quando mudou-se para Londres sozinha e após um ano buscou seu filho Pan Pan.
 É casada com um Inglês - Toby


sábado, 15 de julho de 2017

Concertos de Eva na Casa Museu Eva Klabin- Edição Julho 2017

 Sonia Rubinsky na Wikipedia

Biografia

"É filha de Zilda Kaplan Rubinsky, professora de Língua Portuguesa e Latim, e de Samuel Rubinsky, professor de Física

Iniciou seus estudos de piano no Brasil, ainda pequena. Quando criança participou da formação do Quinteto Rubinsky, com os irmãos Fanny, Neide, Lilian e Ismael, chegando a gravar um disco.

 Aos doze anos, tocou com as orquestras Sinfônica de Campinas e do Teatro Municipal de São Paulo.

A partir de 1972, continuou seus estudos em Israel, na Academia de Música Rubin, onde completou o bacharelado. Em 1979, foi para os Estados Unidos, onde cursou o mestrado e obteve o seu PhD em Piano Performance pela renomada Juilliard School, de Nova York.

Em 2002, casada com o matemático Stéphane Mallat, muda-se para a França, onde prossegue sua carreira de concertista, apresentando-se na Europa (Roma, Amsterdam, Paris), nos Estados Unidos (Nova York, Boston, Chicago, Los Angeles), Canadá (Toronto), em Israel (Tel-Aviv) e no Uruguai (Montevidéu). No Brasil, tem se apresentado com a Orquestra Sinfônica doTeatro Municipal do Rio de Janeiro e de São Paulo, com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, com a OSUSP Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo e a Orquestra Sinfônica de Campinas.

Entre os prêmios recebidos estão o de "Melhor Recitalista do Ano", pela Associação Paulista de Críticos de Arte, o William Petschek Award da Juilliard School e o primeiro prêmio no concurso Artists International, ambos em Nova York.
Gravou a obra completa para piano de Villa-Lobos (8 volumes) pela gravadora Naxos.

 O volume I foi indicado para o Grammy e também foi escolhido pela revista Gramophone um dos cinco melhores lançamentos de 1999. O volume V foi selecionado pela Gramophone como um dos dez melhores lançamentos de outubro de 2006. Sonia Rubinsky gravou também obras de John Adams, Debussy, Messiaen, Jorge Liderman e Mozart.

Sonia Rubinsky ganhou o Prêmio Carlos Gomes de "Pianista do Ano" em 2006 e "Instrumentista do Ano de 2009".
Em 2008, lançou no Brasil, pela Algol Editora, as sonatas de Domenico Scarlatti.
Atualmente,  vive em Paris
A artista se apresenta como solista, mas desenvolve também o trabalho de "Artista em Residência no Edward Aldwell Center e desenvolve o Villa-Lobos Project em parceria com a maestrina Simone Menezes e diversos artistas de todo o mundo."

domingo, 9 de julho de 2017

Alexander Calder


Calêndula ao sabor da brisa


Artista era  apaixonado pelo Brasil
      
Elizabeth Bishop - a poeta norte-americana -  e sua companheira Lota de Macedo Soares são figuras muito presentes na vida de Alexander (Sandy) Calder,criador dos  “móbiles”.
Lota usava um “pente-figa” feito a partir  de uma colher, presente do escultor para prender os longos cabelos negros – os mesmos que Bishop lavou carinhosamente, no poema “Shampoo”.
Em sua casa em Samambaia (Petrópolis,RJ) - ícone da arquitetura brasileira, projetada por Sergio Bernardes – duas obras do amigo ocupavam espaço especial.
Calder esteve  três vezes no Brasil e era apaixonado pelo samba. Adaptou os passos de nosso ritmo aos seus trabalhos, daí surgindo os “samba rattles”. Morou no Rio, no bairro de Botafogo e fez inúmeros amigos - em todas as classes sociais. Entre eles, o crítico de arte Mário Pedrosa que, durante 30 anos,  escreveu sobre o escultor.
“Móbiles”:assim são conhecidas as folhas de metal coloridas que balançam poeticamente tocadas pelo vento ou com a  ajuda de motores. 

Os “stabiles”, que vieram depois, são esculturas imensas que se integram harmonicamente nos locais para os quais são criadas. 
Os 30 anos do desaparecimento deste gênio, que incorporou movimento à escultura, foram marcados pela exposição “Calder no Brasil”,em 2006.

Depois de São Paulo a mostra com fotos, objetos pessoais e cerca de 50 esculturas e maquetes - inclusive a que fez para Brasília, encomenda de JK, e que  nunca foi  realizada - esteve itinerando no Rio. Mais exatamente, instalada no Paço Imperial, na Praça XV.  com o vídeo, musicado por John Cage, é imperdível.

                           A tática e a prática

Alexander (Sandy) Calder, nasceu na Filadélfia (22-7-1898). Filho de dois artistas plásticos - o pai, escultor renomado e a mãe pintora – graduou-se em Engenharia Mecânica sem racionalizar a escolha. No futuro, a intuição daria sentido à decisão da juventude.

Os pendores artísticos e  a habilidade manual  ajudaram-no  a encontrar trabalho como ilustrador da National Police Gazette. Em 1925, já  com várias telas tendo como inspiração o picadeiro, o jornal encomendou-lhe um poster para os espetáculos do circo Ringling Bros. and Barnum & Bailey.
Nas duas semanas em que passou nos traillers dos artistas, fascinou-se pela precisão e equilíbrio dos trapezistas e produziu seu próprio cirquinho. As figuras  dos ”artistas” eram  feitas de arame  e com o alicate que levava sempre no bolso.  Ele próprio servia de apresentador, animador, mestre de cerimônia e  ainda animava as marionetes, tudo acompanhado de efeitos sonoros.

Quando o “dono” partiu para uma de suas temporadas européias, desta vez na  Académie de la Grande-Chaumière, em Paris, o   Circo-Miniatura Calder  foi junto - cabia em duas simples maletas de mão.
Em 1930, diz o historiador  Wayne Craven, “o Circo Calder  tornou-se um grande sucesso no mundo artístico de Montparnasse e entre a intelectualidade francesa”. 
Uma platéia entusiasmada e seletíssima começou a freqüentar as funções: Le Corbusier, Fernand Léger, Joan Miró, Piet Mondrian, Theo van Doesburg. Jean Cocteau,  Jean Arp e muitos mais. 
 A bailarina e cantora negra norte-americana Josephine Baker, grande  sensação em Paris, serviu de modelo para vários trabalhos que exploravam  a flexibilidade dos movimentos da dança
Palmada no bebê

Visitando Piet Mondian em seu estúdio da Rue du Départ 26, Calder notou que as paredes do pintor holandês estavam tomadas por retângulos coloridos. Seu espírito criativo começou a imaginar como seria incrível se eles pudessem oscilar em várias direções, em diversas amplitudes.







Em 1931, participou da coletiva com o grupo Abstraction-Création , e casou-se com Louisa James,grande compreensiva  admiradora, que manteve duas casas : uma na França e outra nos Estados Unidos, para que o marido produzisse em paz. Tiveram duas filhas.
 Foi  em 1932 que a  exposição  “Calder e seus móbiles”, com 31 obras, abriu a galeria Vignon, em Paris.

Com o aumento do tamanho dos trabalhos, começaram a surgir os “stabiles” –esculturas em negro e  nas cores primárias (azul, vermelho, amarelo)  ancoradas ao solo, com motivos animais e vegetais que eram fixadas ao solo com as técnicas que aprendeu no curso de Engenharia.

Reunidos em assemblages, os stabiles (foto) começam a se espalhar pelo mundo: decoram a sede da UNESCO, em Paris e o estádio olímpico do México. Em 1952, recebe o Grand Prix de escultura na Bienal de Veneza.  A partir de 1974,  com criatividade ingênua, quase infantil, mostra ao mundo os “crags”:  que juntavam  aos móbiles os ângulos dos stabiles e  dos critters (stabiles negros que parecem formas humanas).
Passa a trabalhar com papel, litografias, gravuras super coloridas.
Em 1953, compra uma casa de pedra do século 17, perto de Tours, na França, para servir de imenso estúdio.
Hoje, esta mansão se transformou num albergue para estudantes de artes plásticas.
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 Calêndula ao sabor da brisa

A curadora da exposição que aconteceu no Paço Imperial, Roberta Saraiva Coutinho, contou- na época- que “já na sua primeira viagem ao País, em 1948, incentivado pelo arquiteto Henrique Mindlin e pelo crítico de arte Mário Pedrosa, que conhecera nos EUA, Calder mostrou-se um grande passista. Além de fã do candomblé.
 Levado pelos amigos brasileiros a um terreiro, ele tirou uma mulata para dançar e foi flagrado por um paparazzo. A foto foi estampada na revista de fofocas Fon-Fon, causando alvoroço na época”.
Essas e outras histórias  estão no  livro “Calder no Brasil“, organizado pela mesma Roberta Saraiva, em parceria da Pinacoteca do Estado de São Paulo com a Editora CosacNaif, 288 páginas, e foi  lançado na inauguração da mostra em São Paulo ( preço R$ 85,00).
 Calder expôs em 1954 no recém inaugurado edifício do Ministério da Educação, no Rio e participou de Bienais, em São Paulo. 

Elizabeth Bishop, em carta a Howard Moss (“Uma Arte”, Companhia das Letras, tradução de Paulo Henriques Britto - página 404) relata:
“... na véspera (7/7/1959) estiveram aqui Calder e a mulher e creio que esta visita foi melhor de todas. 
Eles já passaram uns tempos no Brasil antes e adoram sambar. Calder ficou sambando no terraço, com uma camisa de um laranja vivo, parecia uma calêndula ao sabor da brisa”.
O grande amigo do Brasil morreu em  Nova York , em 11  de  novembro   de 1976, de crise cardíaca.

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